12 dez, 2025 - 22:14 • Tomás Anjinho Chagas
Dois candidatos, dois eleitorados, várias ideias e um debate. Cordialmente, Luís Marques Mendes e Catarina Martins chocaram, esta sexta-feira, na RTP.
Com pontos de vista distintos sobre as várias áreas, os pontos de contacto foram poucos. Na lei laboral, Catarina Martins não poupou o Governo, e Marques Mendes deu pistas a Luís Montenegro.
No arranque do debate, Catarina Martins começou por criticar o Governo pela forma como conduziu as negociações e sentenciou: "O Governo está num beco sem saída".
A eurodeputada do Bloco de Esquerda considera que o executivo está agora nas "mãos do Chega" e lamenta a forma "autoritária" como negociou com as centrais sindicais.
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Do outro lado da mesa, Luís Marques Mendes classifica a greve geral como a "democracia a funcionar" e acredita que é normal haver este tipo de contestação. Sobre a negociação em si, defende o "diálogo social e o equilíbrio".
O antigo líder do PSD sugere que exista um "acordo mais amplo" em que esteja englobada a política salarial e, eventualmente, política fiscal. Marques Mendes argumenta que, assim, haveria mais margem para negociar dos dois lados. Questionado por medidas concretas, o antigo comentador televisivo defende que não deve opinar para não interferir nas negociações.
Catarina Martins contesta e acredita que quem vota precisa de saber com o que conta de Belém no tema da reforma à lei laboral.
Quando o tema se voltou para a independência e o perfil dos candidatos, Catarina Martins sugeriu que Luís Marques Mendes está ideologicamente demasiado próximo do Governo.
Já o candidato apoiado pelo PSD lembrou o chumbo do Orçamento do Estado em 2021, com os votos contra do Bloco de Esquerda e do PCP: "Catarina Martins provocou instabilidade".
A antiga líder do Bloco de Esquerda rejeita e vinca que um "Orçamento do Estado não é uma moção de censura" e lamenta que Marques Mendes concorde que na altura a dissolução era a única saída.
Em reação aos dados do Banco de Portugal, que demonstram uma forte redução da entrada de imigrantes para o mercado de trabalho, Luís Marques Mendes sai em defesa do Governo e afirma que era preciso colocar "alguma ordem" na entrada de imigrantes.
"Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal", diz o candidato apoiado pelo PSD.
Por seu lado, Catarina Martins insiste que os imigrantes "não vêm para Portugal viver de subsídios" e que o que descontam para a Segurança Social paga "450 mil pensões" por ano no país.
A antiga coordenadora bloquista lamenta que o foco não seja evitar que os empregos para os imigrantes sejam marcados pelos baixos salários.