14 dez, 2025 - 20:01 • Hugo Monteiro
O novo presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) garante não estar desiludido com a decisão de Luís Montenegro de não tratar da regionalização durante a atual legislatura. Pedro Pimpão diz que “é a posição do senhor primeiro-ministro" e que os autarcas “têm de respeitar”. No entanto, esta é uma decisão que, diz, “não inibe” que a ANMP “entenda que o facto de Portugal ser um país muito centralizado, faz com que todos os mecanismos de estabilização devam ser acautelados e que a regionalização deva ser discutida no país”
Em declarações aos jornalistas, no final do XXVII Congresso da ANMP, em Viana do Castelo, o presidente do organismo assumiu ter uma posição sobre a matéria “que não coincide com a do primeiro-ministro", mas que a respeita “naturalmente”.
Em contrapartida, Pedro Pimpão sublinha a importância da prometida revisão da lei de finanças locais, "uma matéria fundamental”, assim como sinaliza o facto de Luís Montenegro ter falado na valorização dos trabalhadores da administração pública local.
Já para a presidente da Associação de Autarcas Socialistas, Sónia Sanfona, “o anúncio da morte da regionalização é manifestamente exagerado”. “Não precisamos de pensar que o processo está morto. Parece que está adiado, segundo a vontade do Governo”, disse, em declarações aos jornalistas.
Presente no encerramento do congresso, Sónia Sanfona sublinhou que “essa não é a vontade dos autarcas”, pelo que os socialistas irão “continuar a colocar o assunto na agenda e a demonstrar com a realidade de todos os dias de que é importantíssimo que a regionalização aconteça para que todo o processo de descentralização e desconcentração do Estado funcione”.
Por último, o Chega concorda com o facto de não ser na atual legislatura que a regionalização irá avançar. O líder parlamentar Pedro Pinto defendeu que “não é altura para falar de regionalização”, principalmente não da “regionalização que o Partido Socialista particularmente quer, que é aquela de dar mais cargos, de arranjar mais ‘tachos’, criar mais lugares políticos para meter os seus ‘boys’”. Contudo, Pedro Pinto diz acreditar que voltará a ser debatido "no futuro”.
Aproveitou ainda para dizer que o Chega foi alvo de uma “falta de respeito”, por não terem sido incluídos autarcas do partido nos novos órgãos da ANMP, eleitos este fim de semana, no congresso de Viana do Castelo.