15 dez, 2025 - 08:07 • Cristina Nascimento
Para quem possa achar que são sempre os mesmos nas lides políticas, as presidenciais de 2026 podem não ser assim. Em contagem decrescente para a data limite de formalização das candidaturas a Belém, neste momento há 45 pré-candidatos.
“É um número recorde de pré-candidatos à Presidência da República, tendo agora que reunir o que é exigido por lei em número de assinaturas”, reconhece André Wemans, da Comissão Nacional de Eleições.
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A lista dos 45 pré-candidatos está disponível no Portal da Candidatura. Figuram os candidatos apoiados por partidos - Marques Mendes, Gouveia e Melo, António Filipe, Catarina Martins, André Ventura, Cotrim de Figueiredo, António José Seguro, Jorge Pinto e Joana Amaral Dias – mas também o já clássico Manuel João Vieira e ainda André Pestana, professor que ficou conhecido por estar ligado ao sindicato STOP. Se estes 11 pré-candidatos podem ser mais ou menos conhecidos, há outros que serão mais desconhecidos.
Por exemplo, Angela Maria Almeida é protagonista da campanha “Angela Maryah – A Presidente Pioneira”, Bruno Gomes é o rosto da candidatura “BEGG a Presidente” e David Belo lidera a pré-candidatura “Why Not?!”. Jaime Silva tem como lema de candidatura “Um Sorriso em Cada Português”, Lino Leitão da Silva diz que “Esta é pras tias 2026”.
André Wemans não tem uma explicação porque é que este ano há tantos pré-candidatos. “O Portal da Candidatura já esteve ativo na última candidatura”, esclarece, afastando a hipótese de que esta fosse uma novidade que permitisse captar mais candidatos.
O prazo limite para os pré-candidatos formalizarem as suas candidaturas é 18 de dezembro, um mês antes das eleições presidenciais. O porta-voz da CNE recorda que “cada candidatura para ser aceite, além de outras condições, tem de ter 7.500 proponentes ou assinantes” e que esses assinantes “têm de ser únicos”, ou seja, não podem subscrever “duas candidaturas diferentes à Presidência da República”.
Feitas as contas, 45 vezes 7.500 significa ter de mobilizar mais de 330 mil eleitores só para garantir que os 45 pré-candidatos cheguem a candidatos.
“É um número grande de eleitores. De qualquer forma, é uma situação única que não tinha acontecido anteriormente e, obviamente, não temos nenhuma informação sobre qual é a probabilidade dos candidatos, todos ou alguns, reunirem as condições de entregar a candidatura no Tribunal Constitucional”, explica Wemans.
Ainda que com essas incógnitas, há que começar a preparar um boletim de voto que poderá ser extenso.
“A situação está a ser analisada, considerando que poderão existir boletins com um grande número de candidatos e a ver quais são as soluções possíveis”, explica.
Arriscamos perguntar se o boletim de voto pode chegar a ter duas ou três folhas A4.
“Neste momento ainda não temos uma decisão definitiva, estamos a aguardar”, mas reconhece que o boletim poderá vir a ser XXL.