15 dez, 2025 - 13:25 • Tomás Anjinho Chagas
Carlos Moedas cola o selo de "radical" ao PS, por anunciar o voto contra o Orçamento Municipal, sem antes discutir o documento em reunião de Câmara.
O presidente da Câmara de Lisboa considera "muito estranho" o anúncio de Alexandra Leitão - que considerou o documento um "mau orçamento", que desinveste na esfera social.
O autarca do PSD esteve, esta segunda-feira de manhã, numa cerimónia de entrega de mais de 150 chaves de habitação municipal, e lamentou a atitude do maior partido da oposição.
"É a primeira vez, desde há quatro anos, que o Partido Socialista toma uma posição tão radical, mesmo antes da apresentação do documento", atira Carlos Moedas, em resposta aos jornalistas.
O presidente da Câmara de Lisboa promete "continuar a dialogar" e desafia o PS a recuar na posição em relação ao Orçamento municipal. Caso o PS vote contra, Carlos Moedas terá de se entender com o Chega ou com o PCP.
O autarca lisboeta considera que o orçamento muncipal é um "instrumento dos lisboetas para podermos executar política pública" e por isso defende que os partidos votem contra certas medidas, e não contra o documento integral. Nos primeiros quatro anos de mandato, Carlos Moedas teve sempre os orçamentos aprovados com a abstenção do PS.
Moedas rejeita que haja um desinvestimento no setor social com este orçamento, e aponta áreas como as pessoas em situação de sem-abrigo, a saúde o a área social.
"Para um partido como o PS, um dos partidos fundacionais na nossa democracia, não costuma acontecer. Só posso estar espantado", remata o presidente da maior autarquia do país.
Alexandra Leitão acusa Carlos Moedas de ter decidi(...)
Numa cerimónia em Entrecampos, no centro de Lisboa - em que foram entregues mais de 150 chaves de habitação municipal - o presidente da Câmara de Lisboa elogiou o papel do Estado central na política de habitação. Mas não deixou de fazer um pedido.
Carlos Moedas desafia o Governo a recuar na intenção de alienar a antiga sede do Conselho de Ministros, em Campo de Ourique, e afirma que é possível a Câmara transformá-lo para efeitos de habitação.
"Fiz o pedido ao Governo, estou à espera de resposta, de alguns edifícios, como é o caso do edifício do Conselho de Ministros, em que nós poderíamos rapidamente reformular e ter um edifício especificamente para jovens, polícias, professores, enfermeiros, pessoas que hoje já não conseguem pagar as rendas na cidade", revela o presidente da Câmara de Lisboa.
Trata-se de um dos edifícios que faz parte de um lote de património que o Governo anunciou que pretende alienar. Alexandra Leitão, na altura, contestou e pediu à Câmara de Lisboa para impedir que a antiga sede do Conselho de Ministros fosse vendida.
Na cerimónia esteve ainda presente o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que apontou a cidade de Lisboa como um "exemplo" a seguir nas políticas públicas para a área da habitação.
Segundo Carlos Moedas, desde que começou o seu mandato, em 2021, já entregou 3 179 casas, mas o autarca assume que cada vez que entrega uma chave "há sempre mais uma pessoa que necessita".
O presidente da Câmara reconhece que "nunca se consegue chegar à totalidade da sua resolução" do problema e promete continuar a "lutar no fia-a-dia".