16 dez, 2025 - 22:42 • Tomás Anjinho Chagas
Dois antigos líderes partidários - que insistem que estão acima das suas áreas políticas - mostraram as suas diferenças, na corrida a Belém para 2026.
No debate entre António José Seguro e João Cotrim Figueiredo, esta terça-feira à noite na RTP, o socialista e o liberal mantiveram uma temperatura alta grande parte do tempo, com distinções claras no que defendem para o perfil do Presidente, na lei laboral ou na lei da nacionalidade. Até começou tudo bastante morno.
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No arranque do debate, João Cotrim de Figueiredo colocou o pé no acelerador e fez uma caracterização do seu adversário. Se, por um lado, reconheceu "transparência e integridade" a António José Seguro, avisou que isso "não chega".
Cotrim avisa que o candidato apoiado pelo PS "não faz o pleno" ao não conseguir o apoio de todo o Partido Socialista.
Do outro lado da mesa, Seguro agradeceu as palavras "amáveis" e agradeceu a disponibilidade do candidato liberal para reagendar o debate, depois de António José Seguro ter pedido para adiar por estar doente.
Virando-se ao ataque, António José Seguro lembrou que o seu adversário se tem mostrado a favor da reforma laboral, e avisou para o perigo de existir um Governo e um Presidente do mesmo espetro político.
"É uma diferença muito grande, que serve para demonstrar que a sua eventual eleição como Presidente da República, reforçava o poder absoluto que já existe no nosso espectro político da direita em Portugal", atirou o antigo líder do PS.
João Cotrim de Figueiredo aproveitou para responder à "teoria dos cestos", em que o candidato apoiado pelo PS tem alertado para o desiquilíbrio de o país ter um Governo e um Presidente da mesma área política.
O antigo presidente da Iniciativa Liberal considera a "teoria dos cestos perigosa" e pergunta o que faz Seguro se for eleito Presidente e o PS ganhar as eleições legislativas: "Demite-se?".
"Fico satisfeito que o Governo tenha reconhecido que começou mal. Já se perderam seis meses", afirmou o antigo líder do PS, reagindo assim às mais recentes negociações entre Governo e a UGT sobre o pacote laboral, já esta terça-feira.
Já Cotrim Figueiredo, acredita que é preferível que esta reforma da lei laboral tenha acordo dos sindicatos.
O debate começou a aquecer no tema da Saúde. António José Seguro lamentou que a prioridade do Governo seja a lei laboral, em vez de ser melhorar o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
De seguida, Cotrim acusou o seu adversário de ter "propostas vagas" e pediu medidas concretas. Seguro repetiu que quer um pacto para a Saúde e vincou que a prioridade é a atratividade para os profissionais de saúde.
Cotrim insistiu com perguntas, e Seguro irritou-se: "Isso é uma técnica de marketing".
No tema da lei da nacionalidade, que foi chumbada pelo Tribunal Constitucional, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal considera que o essencial do diploma deve passar no crivo dos juízes, mas admite que a pena acessória de perda de nacionalidade deve cair por terra.
Já António José Seguro criticou o seu adversário por ter dito que promulgaria esta lei, que agora se veio a provar inconstitucional. "Eu estou esclarecido", ironizou o candidato apoiado pelo PS.
Questionados sobre que papel defendem para o Presidente da República, os dois candidatos concordaram que os pedidos de demissão de certos ministros devem ser feitos em privado, nas reuniões semanais entre o Presidente e o primeiro-ministro.
No entanto, João Cotrim de Figueiredo avisou que se for eleito não quer deixar certos temas cair da agenda mediática.
"Não quero que os temas como a saúde, educação, migrações e segurança, saiam da agenda da preocupação do Governo", assumiu o atual eurodeputado da Iniciativa Liberal.
Na resposta, António José Seguro quis demarcar-se: "Gostava de fazer uma diferença, eu não serei o primeiro-ministro sombra em Belém".
O antigo líder do PS considera que tem uma "vantagem em relação ao adversário" que é ter sido ministro no Governo de António Guterres. Em resposta a isso, Cotrim lamentou que o socialista desvalorize a sua carreira profissional enquanto gestor.