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Ensino Superior

"Totalmente falso". Ministro da Educação diz que foi mal interpretado

16 dez, 2025 - 20:11 • Ricardo Vieira , Alexandre Abrantes Neves

Fernando Alexandre rejeita ter afirmado que os alunos mais carenciados são responsáveis pela degradação das residências universitárias. "Eu próprio fui bolseiro e vivi numa residência universitária", afirma o ministro da Educação.

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O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, diz que foi mal interpretado e considera "totalmente falso" ter afirmado que os alunos mais carenciados são responsáveis pela degradação das residências universitárias.

Fernando Alexandre responde, assim, à polémica originada pelas suas declarações, esta quinta-feira de manhã, durante a apresentação das novas medidas de ação social para o ensino superior.

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Em declarações à Renascença, o ministro da Educação rejeita ter responsabilizado as pessoas de classes sociais mais carenciadas pela degradação dos serviços públicos e afirma: "eu próprio fui bolseiro e vivi numa residência universitária".

"Aquilo que eu referi na minha intervenção, é que a degradação resulta da falta de investimento da parte da gestão. Foi isso que foi dito", esclarece Fernando Alexandre.

O governante defende que o desafio é tornar as residências universitárias "espaços de diversidade, espaços de interação, espaços de bem-estar, espaços de integração dos estudantes deslocados, para que não sejam dormitórios de estudantes de baixos rendimentos, mas sejam casa".

O ministro da Educação admite que "Portugal é uma das sociedades mais desiguais e as famílias de rendimentos mais baixos têm menos voz" para reivindicar melhores condições, embora admita que não tem dados sobre esta correlação.

"Não tenho dados sobre isso. E não estou a dizer que estão todas degradadas. Há residências universitárias que são bem geridas. Isso não está em questão. Mas é um problema que o sistema entende que existe. Eu desafiei os reitores e os docentes politécnicos a repensarmos o modelo de gestão das residências universitárias e foi bem recebido", sublinha.

"O Conselho Nacional de Inovação Pedagógica, que também esteve presente nesta discussão sobre as residências, participou e está precisamente a pensar nisso. Aliás, todos falaram sobre isso. A sessão antes da minha intervenção foi sobre a qualidade das residências em Portugal e do desafio que temos pela frente para as tornar em casas e não em dormitórios, como são atualmente, em que são basicamente só alunos de baixos rendimentos", argumenta Fernando Alexandre.

A origem da polémica

Durante a apresentação das novas medidas de ação social para o ensino superior, numa cerimónia em Lisboa, Fernando Alexandre defendeu que o Estado devia atrair alunos com maiores capacidades financeiras para as residências universitárias e não apenas estudantes desfavorecidos.

Os serviços públicos degradam-se quando são utilizados por pessoas de classe social mais baixa, afirmou o ministro da Educação e Ciência, Fernando Alexandre.

“Aquilo que nós fazemos no ensino superior é não misturar, é pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios sócio-económicos mais desfavorecidos. Por isso, também já agora, é que depois elas se degradam”, declarou.

“Quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais básicos a beneficiar do serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora. É assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas. Nós sabemos que é assim”, defendeu o ministro da Educação.

O governante referiu, ainda, que as residências académicas devem ser "espaços de integração, de bem-estar e de promoção do sucesso escolar, e não, como são atualmente, e foram sempre em Portugal, espaços onde são colocados os alunos de rendimentos mais baixos”.

PS exige pedido de desculpas

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, o líder parlamentar do PS considerou esta terça-feira à tarde que as declarações do ministro da Educação são graves e mostram que Fernando Alexandre não está "à altura de ser ministro de todos os portugueses".

Eurico Brilhantes Dias exige um pedido de desculpas, caso contrário o ministro deve abandonar o cargo.

"As declarações são particularmente graves quando se fala do ministro que tem a tutela da Educação, que é onde procuramos promover a igualdade de oportunidades. Se o senhor ministro não retificar, se o senhor ministro não reconhecer que cometeu um erro grave, discriminatório, preconceituoso, face às famílias com rendimentos mais baixos, deixou de ter condições de ser Ministro da Educação. Portugal merece ter um ministro da Educação para todos os portugueses", diz Eurico Brilhante Dias.

O PCP anunciou que vai requerer a audição urgente do ministro da Educação no parlamento e o Livre condenou as declarações “estigmatizantes” de Fernando Alexandre, que associou a degradação de residências universitárias a alunos com menores rendimentos.

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  • Helena
    17 dez, 2025 LOURES 11:25
    Também nunca disse que os subsidios Natal acima de 1500 euros, deviam ser cortados definitivamente?!

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