Parlamento
Cornos ou rock n' roll? Mortágua diz que gesto foi mal interpretado
17 dez, 2025 - 17:29 • Ana Kotowicz com Lusa
Mortágua lamentou que o gesto tenha "gerado alguma confusão na interpretação", mas garantiu que o gesto que fez com os dedos "é um símbolo cultural rock" e não de cornos, como na tauromaquia.
Não foi um gesto ofensivo, foi o símbolo do rock n' roll. Mariana Mortágua assim o diz e garante que o gesto que fez ao líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, foi mal interpretado. Não se tratava de um símbolo ofensivo — imitando cornos — mas antes um gesto ligado à cultura do rock.
"Estou nesta casa há 12 anos, nunca faltei ao respeito a ninguém, e certamente não iria começar por fazê-lo ao senhor deputado Paulo Núncio", garantiu a bloquista.
Esta justificação de Mariana Mortágua, prestada esta quarta-feira, não foi suficiente para acalmar os ânimos na abertura da sessão plenária do Parlamento. Na véspera, o CDS queixou-se de que a deputada única do Bloco de Esquerda dirigiu um "gesto grosseiro" a Paulo Núncio, em plenário, "levantando a mão direita com o punho fechado, com exceção dos dedos indicador e mindinho".
Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República, solicitou então à Comissão de Transparência a abertura de um inquérito por "eventuais irregularidades graves praticadas". Já esta quarta-feira foi obrigado a intervir no plenário por duas vezes: para cortar a palavra a Rita Matias, deputada do Chega, e a Paulo Núncio.
Gesto grosseiro, diz Paulo Núncio
Logo na abertura da sessão plenária, Paulo Núncio voltou ao tema, queixando-se do gesto grosseiro e insistindo que, quando estes casos acontecem, tem de haver tratamento igual para a extrema-direita e para a extrema-esquerda.
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Foi então que Mariana Mortágua pediu a palavra: "Compreendo que, tendo em conta o enquadramento cultural e simbólico do deputado Paulo Núncio, que é um aficionado [de touradas] — eu não sou — e desenvolve atividades nessa área, a sua interpretação possa ter sido errada. Estou nesta casa há 12 anos, nunca faltei ao respeito a ninguém, e certamente não iria começar por fazê-lo ao senhor deputado Paulo Núncio", afiançou.
Mortágua lamentou que o gesto tenha "gerado alguma confusão na interpretação", mas garantiu que o gesto que fez com os dedos "é um símbolo cultural rock" e não de cornos, como na tauromaquia. "Outra interpretação que o senhor deputado Paulo Núncio possa ter tido, não foi de todo essa a minha intenção."
Foi logo a seguir que Rita Matias reagiu, queixando-se de "dualidade de critérios no parlamento e na política portuguesa": se o gesto tivesse sido feito por alguém do seu partido, "teria abertura de telejornal".
Apesar de advertida de que não estava a fazer qualquer interpelação à mesa do parlamento, a deputada insistiu e Aguiar-Branco foi forçado a cortar-lhe a palavra.
Já Hugo Soares, o líder parlamentar do PSD, recordou o plenário de que havia alunos nas galerias e que Mariana Mortágua "já tinha pedido desculpa pela interpretação errada do seu gesto". Apesar disso, Núncio insistiu que Mortágua estava a "dar música" e Aguiar-Branco cortou-lhe a palavra.
Mas Paulo Núncio quis voltar à carga, acusando a ex-coordenadora do Bloco de "estar a dar música". No entanto, o presidente da Assembleia da República cortou-lhe a palavra. E José Pedro Aguiar-Branco desafiou mesmo o líder parlamentar do CDS a recorrer para o plenário da decisão que tomara de lhe cortar a palavra, o que não aconteceu.
Para finalizar, Aguiar-Branco deixou uma mensagem aos deputados sobre a conduta no hemiciclo: "Quando uma forma de um deputado se expressar, ou de gesticular, não prestigia o parlamento, ou não respeita um outro deputado, compete-me fazer um reparo, uma advertência. E também, quando a situação é como esta, fazer o envio à Comissão de Transparência, a pedido de algum grupo parlamentar."
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