Imigração
"Estamos a fechar a porta aos bandidos." Resolvidas 97% das manifestações de interesse pendentes
18 dez, 2025 - 15:19 • Filipa Ribeiro
Leitão Amaro diz que processos pendentes são indignos e que levam os imigrantes a ser explorados. Recuperação dos atrasos na AIMA "fecha porta aos bandidos" responsáveis por redes criminosas.
Não chegou aos 100%, mas quase. A funcionar deste setembro do ano passado, a Estrutura de Missão criada pelo Governo para dar apoio à Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) resolveu 97% dos processos pendentes de manifestação de interesse.
Os dados provisórios foram apresentados esta quinta-feira, em Lisboa, no Centro Hindu, numa sessão que juntou o presidente da AIMA, o coordenador-geral da Estrutura de Missão, e o ministro da Presidência, António Leitão Amaro.
Inicialmente com mais de um milhão de processos pendentes, os dados indicam que foram decididos 93% dos processos relacionados com manifestação de interesse, 72% relacionados com autorizações de residência da CPLP, 52% de regime transitório e 10% dos processos relacionados com a renovação de autorização de residência, revelou o coordenador-geral desta task-force, Luís Góis Pinheiro.
No total, foram decididos quase 387 mil processos pendentes e, destes, foram indeferidos mais de 59 mil.
Houve ainda o registo de 34 detenções nos postos de atendimento.
Para o ministro da Presidência, o trabalho da Estrutura de Missão "é a maior operação de resolução de pendências da história da Administração Pública (..) que traz segurança a todos os portugueses e estrangeiros".
António Leitão Amaro destaca que "ao colocar ordem" nas pendências o Estado está a evitar que imigrantes terminem em redes de exploração, tráfico ou corrupção.
"Todas aquelas esperas, todas aquelas filas, levavam as pessoas desesperadas a bater a outras portas. À da exploração, do tráfico e da corrupção. Isso é uma vergonha. Ao pôr ordem nestes processos, estamos a fechar a porta aos bandidos", disse o ministro.
O governante considera que a quantidade de processos que estavam pendentes eram "indignos e uma vergonha", considerando que ficaram resolvidos os processo de pessoas que "sofriam". Leitão Amaro sublinha ainda que "quando acusam o Governo de insensibilidade ao reformar a política migratória", na verdade o que o executivo está a fazer é evitar "estas situações — de espera -- não se repetem".
O ministro aponta vários "erros" nas políticas adotadas pelo Governo anterior e fala de uma situação que acabou por ser "perturbadora para o país".
No total, a Estrutura de Missão da AIMA atendeu mais de 550 mil pessoas, com cerca de 1.600 trabalhadores, e custou cerca de 40 milhões de euros ao Estado. No entanto, como resultado das receitas, consegue um lucro de 62 milhões de euros, sendo que as contas ainda não incluem a receita e custos dos processos de reagrupamento familiar.
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