Casa Comum
Mariana Vieira da Silva. "A prioridade nas residências universitárias vai ser dada aos mais desfavorecidos?"
18 dez, 2025 - 09:32 • José Pedro Frazão
A antiga ministra do PS troca o debate sobre a descontextualização de uma frase "pouco feliz" do ministro da Educação pela clarificação da prioridade a dar na ocupação das residências universitárias. Na Renascença, Duarte Pacheco acusa a liderança parlamentar do PS de se ter precipitado a pedir a demissão de Fernando Alexandre.
A socialista Mariana Vieira da Silva pede ao Ministro da Educação que esclareça que a prioridade do investimento em residências universitárias vai continuar a ser dirigida a pessoas mais carenciadas.
A antiga ministra considera que o reforço de 11 mil camas anunciado por Fernando Alexandre não é suficiente e diz que o ministro "não foi feliz" na frase que causou polémica sobre a utilização de residências por pessoas pobres.
"Aparentemente o ministro diz que o que queria dizer é que as residências, quando são frequentadas apenas pelos mais pobres, se deterioram com mais facilidade porque têm menos investimento. Isto não é uma frase com a qual eu tenho nada em desacordo, embora o problema talvez seja o subinvestimento", afirma Mariana Vieira da Silva na Renascença.
A deputada do PS salienta que o ministro foi descuidado na forma de expressar os seus argumentos mas prefere confrontar Fernando Alexandre com a falta de investimento nestas estruturas.
"Concordo quando o ministro diz que era melhor que as residências tivessem também classes médias. Mas, não tendo ele anunciado um grande programa de construção de residências, nós não temos residências para toda a gente. Não são aquelas residências como vemos nos filmes americanos em que todos vão para a residência, sejam alunos mais pobres ou mais ricos. Esse modelo é defensável, mas não é o que existe, nem é o que vai existir, nem é o que foi anunciado", acrescenta a deputada do PS que questiona o ministro se "a prioridade que deve ser dada às pessoas que estão em situação de maior fragilidade, vai ou não continuar a ser dada".
A ex-governante reconhece que as residências universitárias têm tido subinvestimento "ao longo dos anos", beneficiando agora de um grande pacote de financiamento do PRR. Mas alerta: "é preciso cuidar que a manutenção tenha regras diferentes face a este pacote de grande investimento". Mariana Vieira da Silva diz ter já visitados muitas destas unidades - "são residências ótimas" - lembrando que muitas ficaram prontas apenas após a saída do Governo PS.
Depois de diversas vozes no PS terem exigido a demissão do ministro caso não se retratasse das declarações, Mariana Vieira da Silva afirma que o debate "sobre se foi descontextualizado ou não descontextualizado é do dia a dia de qualquer pessoa que faz política", preferindo analisar a proposta que está a ser apresentada pelo Governo.
" Nós ainda não conhecemos todos os detalhes, não sei qual é a versão que está a ser apresentada agora. Gostava de saber se o modelo apresentado combate ou não combate a discriminação que existe. O nosso problema com os mais pobres e o ensino superior não é propriamente o das residências. Muitas vezes os mais pobres não estão no ensino superior, e por isso fiquei sem perceber de que maneira é que este novo modelo continua ou não a proteger os mais desfavorecidos", alerta a antiga ministra no programa "Casa Comum".
Precipitação do PS, acusa Duarte Pacheco
Já Duarte Pacheco nota a diferença entre a reação de Mariana Vieira da Silva e o líder parlamentar do PS, face a uma declaração "não muito feliz" do ministro.
"Ao contrário daquilo que manifestou aqui a Mariana, também identifiquei alguma precipitação por parte do Partido Socialista e do seu líder parlamentar- A partir daí, pedir a demissão do ministro ? Estamos a brincar?", indigna-se o ex-deputado do PSD para quem os argumentos do PS pertencem a "alguns partidos mais radicais".
Duarte Pacheco reconhece que o ministro da Educação "não utilizou uma expressão muito feliz, e é preciso ter sempre esse cuidado". O antigo parlamentar social-democrata considera que "o caminho ideal é uma situação em que haja residências estudantis para todos, de modo a que isso não seja um fator de exclusão no acesso ao Ensino Superior".
O militante do PSD considera preferível a integração dessas residências dentro da malha urbana que já exista, "de modo a que essa compatibilização da vida entre pessoas que têm mais rendimentos e outras que têm menos rendimentos possa fluir, evitando-se a tal guetização".
Duarte Pacheco partilha as preocupações de Mariana Vieira da Silva em relação ao foco que deve ser dado aos mais carenciados num contexto de escassez de residências universitárias.
"Se abrirmos vagas nessas residências para as pessoas da classe média, não chegando para todos, quem é que fica de fora? Se nós concordarmos que as residências devem ser abertas também a pessoas da classe média, é necessário que haja complementos sociais de habitação, de modo a que as pessoas que fiquem de fora sem rendimentos, possam continuar a ter acesso ao Ensino Superior, com recurso a outro tipo de residência, com renda apoiada pelo Estado, através dos apoios sociais", defende Duarte Pacheco na Renascença.
- Noticiário das 8h
- 16 mai, 2026








