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Parlamento

Na despedida, Mariana Mortágua pede mais direitos para os trabalhadores da AR

19 dez, 2025 - 15:21 • Manuela Pires

Ao fim de 12 anos, a antiga líder do Bloco de Esquerda despediu-se da Assembleia da República. O Chega acenou com lenços brancos e o CDS desejou-lhe "um bom futuro na cultura rock".

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Com aplausos de pé dos deputados do PS, PCP, JPP Livre e Iniciativa Liberal e de alguns deputados do PSD como Cristóvão Norte, Mariana Mortágua despediu-se dos deputados com uma palavra para os funcionários da Assembleia e um pedido ao conselho de administração para alargar os direitos a quem todos os dias trabalha no Parlamento.

“Aqui fica uma vontade e uma nota para o conselho de administração, para que todos os trabalhadores sejam reconhecidos como trabalhadores da Assembleia da República e que possam ter salários e carreiras que respeitem o trabalho e o contributo que dão e os anos que estão nesta casa. Já cá estavam quando eu cheguei e vão continuar a estar depois de eu sair”, pediu Mariana Mortágua.

A deputada única do Bloco de Esquerda, que vai ser substituída por Fabian Figueiredo, enumerou os nomes dos trabalhadores do bar e da limpeza. “Agradeço a todos e desejo um bom trabalho na Assembleia da República e desejo paciência e firmeza aos bravos e às bravas que insistem em defender a democracia na sua casa”, disse a bloquista.

“E quero também deixar uma última nota, porque os deputados vêm e vão. Mas há pessoas que estão sempre cá para fazer a Assembleia da República funcionar e, se posso deixar uma última palavra, é para eles que quero deixar. Uma palavra a todos os funcionários da Assembleia da República na pessoa do Sr. Sá. Quero deixar uma palavra a todos os funcionários dos bares e dos restaurantes na figura da Dona São, Dona Conceição, do bar lá de baixo. E também um abraço a todas as funcionárias que fazem a limpeza deste espaço muito antes de nós aqui chegarmos, na figura da Dona Isabel”, referiu Mariana Mortágua.

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco lembrou que conheceu Mortágua quando estava no Governo de Pedro Passos Coelho e referiu a lealdade da deputada para com o Parlamento e com o seu presidente.

“Não posso deixar também de destacar a forma absolutamente leal — e digo isto porque é muito importante quando muitas vezes a lealdade parlamentar não é tão praticada quanto é devida —, a senhora deputada Mariana Mortágua sempre teve um comportamento absolutamente leal no seu relacionamento com o Presidente da Assembleia da República”, referiu Aguiar-Branco.

À esquerda, escutaram-se palavras de elogio ao combate político e à combatividade de Mariana Mortágua. No PS, Marina Gonçalves lembrou o primeiro Governo de António Costa que contou com o apoio do Bloco.

“Algumas decisões aqui tomadas foram fundamentais para a nossa vida coletiva e para os portugueses e a sua marca fica também, sem dúvida nenhuma, em todos estes processos, em todos estes anos, onde conseguimos trabalhar em conjunto e provar que é possível em democracia ter vários partidos a trabalhar para posições conjuntas. Que nunca lhe falhe a voz na defesa dos portugueses, que nunca lhe falhe a voz aqui ou em qualquer lado na defesa de um Portugal melhor”, disse a deputada socialista.

Paula Santos do PCP garantiu que, apesar das discordâncias, “o que queria, sobretudo, salientar é também o trabalho que foi possível realizar e a cordialidade e o respeito no debate democrático”.

Rui Tavares, do Livre, lembrou que a primeira vez que falou com a antiga líder do Bloco pensava que estava a falar com a irmã gémea. “A nossa primeira conversa começou por um equívoco, porque durante para aí um minuto chamei-a sempre por Joana, até alguém me ter explicado que eu estava a falar com a irmã da Joana, que tinha acabado de conhecer. Isso foi antes ainda de ser deputada. Serve assim para explicar que já nos conhecemos há alguns anos”, referiu Rui Tavares.

Da bancada do PSD, Hugo Soares referiu que as divergências são conhecidas e que o partido responsabiliza o Bloco por decisões que prejudicaram o país. “É evidente que nós não desejamos sorte ao Bloco de Esquerda, mas à senhora deputada Mariana Mortágua, eu, em nome do grupo parlamentar do PSD, desejo a maior sorte do mundo”, disse Hugo Soares.

Da bancada do Chega surgiram lenços brancos e o líder parlamentar referiu que “a deputada faz falta, faz falta até para o combate político”.

No CDS, Paulo Núncio foi o único que não se deixou levar pelas despedidas. “Não tenho nada de bom a dizer-lhe na sua despedida, e, por isso, termino desejando-lhe um Santo Natal e um bom futuro na cultura rock”, disse o líder parlamentar social democrata.

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