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PRESIDENCIAIS 2026

Catarina Martins vs Jorge Pinto: Uma tentativa falhada de cavar diferenças à esquerda

21 dez, 2025 - 22:42 • Susana Madureira Martins

Os dois candidatos presidenciais divergiram sobre o projeto europeu, mas pouco mais. Ambos garantem que não desistem. O último debate televisivo realiza-se esta segunda-feira entre Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes.

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O que divide Catarina Martins e Jorge Pinto e o que tornou impossível que apoiassem a mesma candidatura presidencial? A esta questão do jornalista Vítor Gonçalves no frente a frente deste domingo na RTP, a eurodeputada e ex-coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) respondeu seca: “Prefiro falar da minha candidatura”. À mesma questão, o candidato apoiado pelo Livre respondeu com uma provocação: “Se não houvesse divergências, não teria avançado”.

Durante meia hora os dois candidatos presidenciais não divergiram em praticamente nada. Catarina Martins pediu mesmo, a dada altura, que não queria “encontrar diferenças onde elas não existem”.

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Apenas Jorge Pinto surgiu ao ataque sobre a construção europeia e aí disse que há uma divergência com a adversária. “A minha visão europeísta é convicta. A Catarina Martins há uns anos dizia que o projeto europeu era um projeto condenado”, disse o candidato, referindo que é preciso uma unidade europeia contra o “autoritarismo” de Trump e de Putin.

Na réplica, a ex-coordenadora do BE referiu que a “unidade europeia não existe, é uma disputa política” e que Portugal “deve participar dessa construção”. Justificou ainda que foi crítica de “momentos” em que devia ter havido referendos no país sobre opções europeias, ao tratado orçamental, por exemplo. E, acrescentou, “houve uma altura em que a Europa se preparava para fazer sanções a Portugal”.

Desistir a favor de Seguro? Ninguém

À esquerda ninguém desiste, mesmo com o risco de haver dois candidatos de direita na segunda volta. Este sábado, António Filipe já tinha deixado isso claro no frente a frente com António José Seguro e no debate deste domingo quer Catarina Martins quer Jorge Pinto fizeram o mesmo.

A candidata apoiada pelo BE referiu o que considera ser a “grande proximidade” de Seguro a Luís Marques Mendes e disse sentir que a sua campanha “a crescer”. Jorge Pinto salientou que, mesmo com Seguro a ser dado pelos estudos de opinião como o candidato à esquerda com mais possibilidade de ir à segunda volta”, a razão para votar não pode ser quem está melhor nas sondagens”. E rematou: “O único apelo que faço é na minha candidatura”.

Jorge Pinto alertou ainda para o perigo para o país de colocar “os ovos todos no mesmo cesto”, considerando que “é mau ter um Presidente da República de direita” e que Luís Marques Mendes é a candidatura “mais próxima do Governo”.

Quem vai dormir melhor de 18 para 19 de janeiro?

Ambos questionados sobre a qualidade do sono que vão ter se à segunda volta passarem dois candidatos de direita, Catarina Martins não respondeu diretamente, mas alertou que “na Europa e em Portugal há muitas vezes o discurso de que escolher o mal menor trava o mal maior”, para concluir que “a escolha do mal menor só tem feito o mal maior crescer.

Jorge Pinto garantiu que dorme “descansado” quando a consciência o “deixa dormir descansado”, devolvendo a responsabilidade: “Quero que quem passar à segunda volta durma descansado de que fará um bom serviço ao país”.

Catarina “interventiva”, Jorge Pinto com magistratura de “mobilização”

Na reta final de um debate morno, ambos responderam sobre o perfil de Presidência que defendem. Catarina Martins garante que será “interventiva” e a palavra final coube a Jorge Pinto que aposta “muito” na capacidade do Presidente da República “mobilizar”. O candidato apoiado pelo Livre não quer uma “magistratura de influência”, mas de “mobilização”.

Jorge Pinto pretende ainda, caso seja eleito, organizar a primeira ação cidadã dedicada à regionalização, com a adversária a salientar o quão o processo está blindado por um “nó constitucional” que exige o “duplo referendo”.

O último debate nas televisões está marcado para esta segunda-feira entre Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes.

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