PRESIDENCIAIS 2026
Gouveia e Melo vs. Marques Mendes: O "facilitador de negócios" e o "desesperado" foram ao último debate na televisão
22 dez, 2025 - 23:42 • Susana Madureira Martins
O frente a frente resultou numa troca azeda de acusações em torno da vida profissional de Luís Marques Mendes. Gouveia e Melo chegou a sugerir que arquivamento da averiguação preventiva de Luís Montenegro teve a influência do adversário par ase corrigir logo a seguir. O próximo encontro é no debate da rádio marcado para 2 de janeiro.
Este foi o debate em que Luís Marques Mendes ouviu de viva voz a acusação de Henrique Gouveia e Melo de que é um “facilitador de negócios”, um “lobista” e alguém que “abre portas”. O candidato presidencial apoiado pelo PSD desafiou por inúmeras vezes o militar na reserva a dar exemplos e esquivou-se a explicar em detalhe a relação profissional com a Abreu Advogados e o Angola Desk.
Calhou no sorteio ser Gouveia e Melo a fazer a primeira intervenção no frente a frente da TVI, desta segunda-feira, e o militar na reserva como que despejou o saco, longe das prestações algo anestesiadas dos outros debates, referindo que mantém “dúvidas” sobre o “universo” profissional de Mendes.
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Num debate tenso e, aqui e ali, com um ambiente de cortar à faca, Gouveia e Melo pediu explicações sobre os serviços de Marques Mendes prestados à sociedade Abreu Advogados, acusando o adversário de não dar esclarecimentos. “Tem de explicar, não é contra a lei, tem a ver com a ética”, sintetizou o candidato.
Na réplica, Marques Mendes comparou por duas vezes Gouveia e Melo ao líder do Chega e também candidato presidencial, André Ventura, acusando o adversário de não ter trazido “nada de novo à política, trouxe a velha política de insinuações, trouxe as mesmas pessoas”.
“Angola Desk não tem história”, garantiu Mendes, que acrescentou que também esteve em Cabo Verde ou Moçambique “várias vezes”, explicando que tem um contrato “há 12 anos” com a Abreu Advogados. “Não há qualquer relação de promiscuidade entre a política e negócios, não tive nenhum cargo político”, considerando que o assento no Conselho de Estado “não é um cargo político”.
Gouveia e Melo atirou que “o que está em causa não é ser político”, mas as relações que Mendes tem. “É um lobista e um facilitador de negócios”, acabou por dizer, questionado “que serviços jurídicos é que faz? O senhor abre é portas”.
Mendes foi sempre mantendo a toada: “Diga um exemplo em concreto de conflito de interesses”, com Gouveia e Melo a dar o troco e a pedir explicações “em vez de vitimizar-se, não vire o bico ao prego”.
A dada altura, Gouveia e Melo colocou mesmo em questão o Ministério Público, sugerindo que Marques Mendes interveio na decisão de arquivamento da averiguação preventiva de Luís Montenegro. “O dr. António Costa anda há meses que lhe digam se é arguido. O senhor, num dia e meio, conseguiu imediatamente o arquivamento”, disse o almirante para logo a seguir corrigir, “não foi o senhor, foi o sistema”, com Mendes alterado a falar de uma “insinuação gravíssima”.
“Não sou nenhum facilitador de negócios, a minha vida de escritório é corretíssima, o meu trabalho está dentro de toda a ética e nunca tive um problema de impostos”, resumiu o antigo líder do PSD, acusando Gouveia e Melo de entrar na “politiquice porque a pessoa que o dirige é o assessor de José Sócrates”, referindo-se ao consultor de comunicação Luís Bernardo.
Gouveia e Melo abespinhou-se e garantiu: “Ninguém manda em mim”. Mendes ainda acrescentou que o adversário tem a dirigir a campanha “um general da politiquice” que se tornou um “porto de abrigo dos socráticos”, avisando: “Depois não se queixe”.
O debate, moderado pelo jornalista José Alberto Carvalho, seguiu sempre neste tom com Gouveia e Melo, a dada altura, a desafiar Mendes a dizer o que faria como Presidente da República se o primeiro-ministro “for constituído arguido”. Mendes não respondeu, preferindo dizer que Luís Montenegro “acaba de ser ilibado no caso da Spinumviva”, acusando o adversário: “O senhor é sempre insinuações”.
O debate terminou com Gouveia e Melo a confessar que não se revê em Marques Mendes na Presidência da República, largando uma última acusação: “Protege os ricos e faz negócios com os ricos, o resto é coisas sem arestas”.
Mendes teve a última palavra e classificou o adversário como estando “desesperado” por causa das sondagens. “O senhor não tem o monopólio da transparência”, concluiu.
Este foi o último frente a frente entre candidatos presidenciais nas televisões. O debate da rádio está marcado para 2 de janeiro pelas 9H30.
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