Caso dos Cartazes
Pastoral dos Ciganos diz a Ventura que "na democracia não pode valer tudo"
22 dez, 2025 - 21:37 • Anabela Góis , com redação
André Ventura foi condenado a “retirar, no prazo de 24 horas, todos os cartazes que colocou na via pública e nas diversas localidades do país com a menção “os ciganos têm de cumprir a lei – André Ventura presidenciais 2026”.
“Na democracia não pode valer tudo”. O diretor da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, Hélder Afonso, responde a André Ventura, no caso dos cartazes contra a comunidade cigana.
Em declarações à Renascença, no dia em que o Tribunal Cível de Lisboa mandou o líder do Chega retirar os cartazes, Hélder Afonso lamenta que os ciganos sejam “sempre armas de arremessos” e o “bode expiatório do senhor André Ventura”.
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“Não pode valer tudo na nossa democracia, não pode valer tudo nos atos que nós fazemos, não pode valer tudo para denegrir uma minoria étnica”, afirma.
O diretor da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos garante que tem todo o respeito pelo líder do Chega, mas deixa um apelo a André Ventura, até enquanto católico.
“Queremos fazer um apelo a André Ventura que repense, é um homem de bem, penso que com bastantes conhecimentos de Igreja, que pense também na questão social das crianças, na questão da discriminação das crianças na escola, que podem eventualmente ser discriminadas por este tipo de atos, que repense a forma como fala dos ciganos, porque 99,9% são pessoas de bem”, sublinha Hélder Afonso.
Tribunal manda Chega retirar cartazes sobre ciganos
Ricardo Sá Fernandes, advogado que representa a qu(...)
André Ventura foi condenado a “retirar, no prazo de 24 horas, todos os cartazes que colocou na via pública e nas diversas localidades do país com a menção “os ciganos têm de cumprir a lei – André Ventura presidenciais 2026”.
A juíza Ana Barão condenou ainda Ventura “a abster-se de, no futuro, determinar ou promover, direta ou indiretamente, a afixação de cartazes de teor idêntico ou equivalente”.
Por cada dia de atraso, por cada cartaz que permaneça na via pública para além do prazo de 24 horas definido pelo tribunal para a retirada, ou por cada novo cartaz que possa vir a ser colocado, o líder do Chega terá de pagar uma multa de 2.500 euros, ordenou ainda a sentença.
O líder do Chega considera que a decisão judicial representa um "mau dia para a democracia" e admite recorrer. André Ventura considera que, com ordem de um tribunal, sai reforçado o que diz ser o "clima de impunidade" de que goza a comunidade cigana em Portugal.
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