30 dez, 2025 - 22:44 • Lusa
Os candidatos António Filipe e Catarina Martins recusam abandonar a campanha para as eleições presidenciais em favor de António José Seguro.
Um dia depois do apelo do secretário-geral do PS, candidato António Filipe, apoiado pelo PCP, fala em desespero por parte de José Luís Carneiro.
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“Quando há um apelo tão desesperado a que outros desistam, para que um candidato possa ter esperanças de ir à segunda volta, eu acho que isso diz tudo sobre a insegurança que o líder do Partido Socialista tem no candidato que apoia”, afirmou o antigo deputado do PCP.
O líder do PS apelou às restantes candidaturas da esquerda para avaliarem a "possibilidade de apoiarem a candidatura do António José Seguro na medida em que é a única que pode ir à segunda volta”.
Para António Filipe, que falava aos jornalistas após uma reunião com a Associação Nacional dos Centros de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Segurança Social e Dirigentes Sindicais, estes apelos de Carneiro “são um sinal claro de fragilidade de uma candidatura”, porque “quando uma candidatura pensa que só lá vai se os outros desistirem, muito mal vai essa candidatura”.
António Filipe acrescentou que a sua “candidatura vale por si própria” e é distintiva do “consenso neoliberal, onde se inclui o candidato apoiado pelo PS”, defendendo que o país precisa de uma figura “identificado com os valores da Constituição” e a valorização dos direitos dos trabalhadores.
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No mesmo sentido, a candidata presidencial Catarina Martins rejeitou desistir a favor de António José Seguro, acusando-o de ter viabilizado orçamentos que "iam contra a Constituição", e prometeu "uma defesa intransigente" da Lei Fundamental.
"António José Seguro, quando foi o tempo da "troika", preferiu viabilizar orçamentos que até iam contra a Constituição da República Portuguesa e, portanto, não me podem pedir para eu não cumprir aquele que é o mandato primeiro de quem se candidata à Presidência da República, cumprir a Constituição, defender as instituições do Estado de Direito Democrático, defender o país, defender a população", afirmou.
A eurodeputada falava aos jornalistas em Lisboa, à margem da visita a um centro de acolhimento de pessoas em situação de sem-abrigo no âmbito da pré-campanha para as eleições presidenciais".
"Cada vez que nós desistimos de ter respostas fortes com medo de que venha alguma coisa pior, na verdade o nosso país só enfraquece. E eu aqui estou para respostas fortes, para uma magistratura de influência, mas também para uma defesa intransigente da Constituição e do Estado de Direito Democrático, que eu já dei provas de fazer", respondeu a antiga líder do BE.
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Sobre a campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, Catarina Martins reiterou o pedido para que "não seja sobre casos, porque o país não perdoaria", e para que "todos os casos sejam investigados".
"Esta campanha tem de ser sobre a saúde, que é fundamental. Esta campanha tem de ser sobre a habitação. Esta campanha tem de ser sobre o modelo do país que queremos e combater o modelo de salários baixos que tira perspetivas de vida a todas as gerações. Esta campanha tem de ser sobre vivermos melhor em Portugal e como é que uma Presidente da República pode ajudar a lançar os debates que importam", defendeu.
No que toca às pessoas em situação de sem-abrigo, a eurodeputada bloquista assinalou que o Presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, "se empenhou na causa das pessoas sem-abrigo" e recordou um trabalho "em conjunto, muitas vezes, para conseguir respostas em Lisboa, nomeadamente na altura da pandemia".
Catarina Martins recusou ainda que "o falhanço na estratégia para as pessoas sem-abrigo se deva ao Presidente da República".
"Estamos a atravessar um período muito complicado e as estratégias para resolver a situação das pessoas sem-abrigo ficaram postas em causa também pela crise da habitação. Porque hoje temos uma realidade nova, temos pessoas que trabalham e que estão em situação de sem-abrigo, ou seja, pessoas que trabalham que têm o seu salário, e que ainda assim continuam em situação de sem-abrigo porque não conseguem, pura e simplesmente, ter uma casa com o salário que ganham no sítio onde estão a trabalhar", alertou.
A candidata presidencial sustentou que o Presidente da República "tem seguramente que lançar os debates sobre os maiores problemas do país", defendendo que "o problema de salários baixos e casas caras é um problema do regime democrático", e indicou que a situação das pessoas sem-abrigo será uma das suas prioridades caso seja eleita.