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Debate da Rádio

Presidenciais. Candidatos divididos sobre enviar tropas portuguesas para a Ucrânia

02 jan, 2026 - 16:04 • João Carlos Malta

Vários candidatos defendem a ideia de enviar "botas para o terreno", mas apenas num cenário de manutenção de paz. Gouveia e Melo acha a situação desaconselhável e António Filipe rejeita liminarmente a ideia. Ventura e Cotrim discordaram na forma como o envio de dinheiro para a Ucrânia é feito.

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Gouveia e Melo e André Ventura no Debate da Rádio para as Presidenciais. Foto: João Porfírio/Observador/POOL
Tropas portuguesas na Ucrânia? Candidatos dividem-se entre o apoio, a recusa e o esperar para ver. Foto: João Porfírio/Observador/POOL

A maioria dos candidatos às eleições presidenciais demonstrou, no Debate da Rádio que se realizou esta sexta-feira em Lisboa, não estar a favor do envio de tropas portuguesas para a Ucrânia. E quem admite a hipótese apenas o faz num cenário de manutenção da paz, após um acordo entre Putin e Zelensky.

Já a hipótese de um referendo futuro para decidir esta matéria foi afastado por quase todos os candidatos com o argumento de que o mesmo seria inconstitucional.

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Marques Mendes disse ainda ser cedo para falar do tema, mas ainda assim o envio de homens portugueses apenas poderia acontecer “numa perspetiva de paz, não de guerra”. E nessa altura, afirmou não excluir a possibilidade, mas também não a garantir.

André Ventura começou por dizer que se deve “evitar ao máximo ter jovens portugueses na Ucrânia”.

“Ninguém quer repetir aquilo que aconteceu a Portugal na Primeira Guerra Mundial, em que uma geração inteira foi destruída por sermos enviados para o centro da Europa para combater”, disse o líder do Chega, mas contrapondo que Portugal deve manter o apoio à Ucrânia, incondicional para vencer a Rússia e para vencer o Putin.

Ainda assim, Ventura não deixou de fazer reparos a Zelensky e à Ucrânia dizendo que Portugal tem o direito de saber para onde vai o dinheiro que envia para aquele país.

“Vamos gastar centenas de milhões […] O dinheiro que estamos a enviar para lá, isto é dinheiro dos contribuintes portugueses, dinheiro dos europeus, é usado, basicamente, a sustentar uma clientela política à volta de Zelensky”, considerou.

Cotrim discordou de Ventura quando falou do tema. Para o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, este apoio à Ucrânia é incondicional. “Não é incondicional André Ventura, e depois vamos ver se custa dinheiro. Não é incondicional e vamos ver se o Zelensky é corrupto”, justificou.

Ao contrário de António Filipe, que não vê que Portugal tenha nenhum interesse nacional na Ucrânia, nem que os compromissos com a NATO obriguem avançar para uma presença militar lusa no terreno, Cotrim acredita que o que se passar em Kiev “é um interesse vital português” porque, no extremo oriental da Europa, há “um tirano com ambições imperialistas” e “temos ameaças híbridas russas diárias”.

Já Gouveia e Melo disse que qualquer força de manutenção de paz corre o risco de ser imediatamente envolvida num conflito.

“Eu não sou a favor dessa participação. Eu sou a favor da participação dos acordos de defesa coletiva, que são os acordos da NATO”, sublinhou.

António José Seguro assume “se o que nos pedem é que as nossas tropas profissionais vão para ajudar a manter essa paz”, “naturalmente que isso seria um gesto de solidariedade e também de defesa dos nossos interesses, quer como europeus, quer como portugueses”. Também Jorge Pinto abriu a porta para uma participação lusa ao abrigo de uma missão de paz.

Quanto a Catarina Martins defendeu que ficou "chocada" com as "promessas vazias" de Luís Montenegro na visita a solo ucraniano. "Se primeiro-ministro queria ser útil agora, o que estava a garantir era que lá chegavam mais geradores e condições de habitação, ainda que provisórias, para garantir que aqueles quatro milhões de pessoas aguentam o frio do Inverno. Isso era um contributo que Portugal podia fazer já", concluiu.

Lajes e rever o acordo com os Estados Unidos

Sobre a necessidade renovar as garantias com os EUA sobre a gestão territorial da base das Lajes, André Ventura acredita que “mais do que renovar as garantias [dos EUA]”, “temos de garantir as condições” daquele local porque “está em degradação contínua”.

António Filipe disse que “há muitos anos que os EUA não cumprem os compromissos que assumiram, desde logo com os trabalhadores e que as autoridades portuguesas permanecem em silêncio total.

Seguro sublinhou que é preciso distinguir a cooperação com os EUA da relação conjuntural com Donald Trump. “É necessário que [o acordo] seja revisto, há necessidade de o atualizar”.

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda disse que está na altura de Portugal ter uma solução para a Base das Lajes sem os EUA, enquanto Gouveia e Melo disse não ser “o momento adequado para mexer nos acordos”.

Cotrim Figueiredo acredita que Portugal corre “mais o risco dos EUA decidirem que não necessitam das Lajes” e que a perda de importância geoestratégica “devia importar-nos”

Por fim, Marques Mendes considera que, neste momento, a situação está globalmente estável e que não é um bom momento para rever este acordo.

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