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Debate da Rádio

Presidente pode falar sobre processos com o PGR? Ventura diz sim, Mendes não, e Gouveia e Melo não quer “estado de vigilância sobre o poder político”

02 jan, 2026 - 13:19 • João Carlos Malta

Todos os candidatos falaram na necessidade de manter a separação de poderes, mas houve nuances. Ventura admitiu falar de casos judiciais concretos com o PGR, e à esquerda, Jorge Pinto e Catarina Martins alertaram para a urgência de parar com o que acreditam ser a ingerência da justiça na política.

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Marques Mendes disse que não irá falar de casos concretos de justiça com o Procurador-Geral da República. Já para André Ventura, se um “primeiro-ministro" estiver "a roubar", não vai deixar de falar com a procuradoria. Já Gouveia e Melo quer que o MP não seja fonte de “opacidade” e “falta de transparência”.

Apesar de todos os candidatos falarem sobre a necessidade de separação de poderes entre a política e a justiça, entre os oito candidatos presentes no Debate da Rádio, que se realizou esta sexta-feira em Lisboa, há quem admita falar com o Procurador sobre casos concretos.

Quem o disse abertamente foi André Ventura, candidato apoiado pelo Chega. “Então se nós tivermos um primeiro-ministro suspeito de corrupção, não vamos tocar no caso concreto? O homem continua e continua a roubar?”, questiona.

“Quando há casos de corrupção que envolvem diretamente primeiros-ministros, ministros das Finanças ou da Economia, sim, o Chefe de Estado tem que ter uma palavra a dizer e tem que exigir explicações”, defende Ventura, que quer um Presidente da República forte no combate à corrupção.

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Marques Mendes discorda. Para o candidato apoiado pelo PSD, um Presidente da República “não pode intervir, nem pedir explicações sobre nenhum processo em concreto”.

“Isto seria mesmo de uma gravidade enorme, até porque hoje é o primeiro-ministro, amanhã é de outra pessoa”, declarou. “Mesmo que um Presidente da República tentasse de forma direta ou indireta imiscuir-se num processo, acho que um Procurador-Geral da República que se preze, nunca o permitiria”, acrescentou.

Gouveia e Melo abordou a questão de forma mais genérica, no que diz respeito a esta relação, argumentando que a justiça “não pode ser opaca, não pode criar um estado de vigilância sobre o poder político, porque isso é mau”.

O mesmo candidato disse ainda que “o segredo de justiça é mesmo um segredo e deve ser preservado até o limite”. Caso contrário, argumenta, "nós vamos entrar num período em que a justiça condiciona, de alguma forma, o poder político. E isso contraria o princípio da separação de poderes”.

À esquerda, tanto Jorge Pinto como Catarina Martins defendem a separação de poderes, colocando um “mas”.

O candidato apoiado pelo Livre afirma que o poder político não pode imiscuir-se no poder judicial, no entanto o contrário também se aplica. “Nós não podemos ter o poder judicial a querer tornar-se um agente político, a querer influenciar o debate político, porque eu já estou muito farto, estou mesmo farto, que a cada período eleitoral, quando nos aproximamos de uma eleição […] surjam notícias mais ou menos filtradas pelo Ministério Público sobre uma qualquer investigação relacionada com um dos intervenientes políticos que vai a votos, muitas vezes depois sem qualquer fundamento”, pormenorizou.

Já a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda garante ser “uma enorme defensora da autonomia do Ministério Público”, mas também é “uma defensora das instituições de Estado de Direito Democrático”.

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Por isso, argumenta, um Presidente da República “não pode ficar calado quando há averiguações preventivas sem nenhum enquadramento legal, quando há prendas de Natal, ou investigações em períodos eleitorais”.

Sobre a mesma matéria, António Filipe e António José Seguro concordam que a autonomia do Ministério Público é um valor constitucional e que o Presidente da República não o pode ultrapassar. “O que mais faltava era que o Presidente da República interferisse nos processos de justiça”, afirmou o candidato apoiado pelo PS.

Sobre o caso que suscitou este tema, o do parágrafo que fez cair o governo de António Costa, Cotrim Figueiredo disse que “não seria objeto de conversa com o Procurador-Geral da República, mas seria certamente um assunto interessante de averiguar, como é que foi o processo até à condução daquele comunicado que depois conduziu à queda do Governo”.

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