06 jan, 2026 - 17:49 • João Maldonado
Depois de ter estado em Setúbal na manhã desta terça-feira, o encontro entre António Filipe e Manuel Carvalho de Silva da parte da tarde resultou numa conversa, à porta fechada, na Voz do Operário, em Lisboa. Terminada, aí vieram as declarações aos jornalistas neste terceiro dia de campanha oficial para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.
O grande tópico que justifica este ponto da agenda é a preocupação com as alterações à lei laboral que o Governo de Luís Montenegro vai, a custo, tentando negociar. Para o candidato apoiado pela CDU, “os trabalhadores já estão muito fragilizados do ponto de vista legislativo com o Código de Trabalho que está em vigor”. Indo por diante as alterações seriam, para António Filipe, virar o direito laboral “completamente ao avesso”, beneficiando os interesses empresarias em detrimento dos trabalhadores.
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“Se o pacote laboral não for retirado ou não for rejeitado antes das eleições presidenciais, creio que seria um dever do próximo Presidente da República suscitar os problemas de constitucionalidade que sejam detetados na proposta e não deixar de tomar uma posição muito clara.” Para que a Constituição portuguesa seja cumprida nesta situação, defende António Filipe, “tem de ser ao lado dos trabalhadores”.
O barulho das sondagens vai ribombando com o aproximar do momento eleitoral. O candidato, que vai sendo colocado bem longe da passagem à segunda volta e sem conseguir chegar aos 5% que garantem a subvenção estatal à campanha, recusa inquietações com estes números. “Não estou nada preocupado com isso, só estou preocupado com o andamento da minha campanha, vamos ter sondagens todos os dias, só vou comentar a última, que é o no dia 18.”
António José Seguro acredita ser o único cavaleiro da esquerda política capaz de atravessar a meta nos dois primeiros lugares e garantir a vaga no segundo escrutínio – tendo dito, por isso, que os outros votos deste quadrante político não contam. “Quando um cidadão ouve dizer que o seu voto não conta é que deve ficar incomodado, António José Seguro fará a sua campanha e eu farei a minha, eu respeito todo os adversários políticos”, atira.
O voto útil é inevitavelmente um dos grandes temas desta campanha. Tanto à esquerda como à direita. Para tal tem sido também invocada (por Marques Mendes, André Ventura ou Cotrim de Figueiredo) a autoridade de Francisco Sá Carneiro, antigo líder social-democrata.
Questionado sobre o assunto, António Filipe põe água na fervura, lembrando que “as pessoas, enquanto são vivas, enquanto estão entre nós, transmitem as suas posições, quando as pessoas não estão cá já, para poder confirmar ou desmentir, eu acho que por princípio não se deve fazer isso”.
Ao lado do candidato presidencial está o homem que liderou a CGTP até 2012. Manuel Carvalho da Silva vem dar o corpo por alguém com “apego aos valores e às causas do mundo do trabalho – muito necessário na sociedade portuguesa”.
Considerando ser António Filipe o melhor candidato ao Palácio de Belém, Carvalho da Silva sublinha que: “Na primeira volta o que há é conquistar todos os votos para as eleições e todos os votos serem fidelizados; em vez de se andar a fazer apelos a que outros deem apoio, começa-se pela casa, e procura-se que na casa de cada um, de cada candidato, a mobilização seja total”.
Desmanchando os argumentos de votos mais úteis do que outros, insta os candidatos a preocuparem-se com as áreas políticas que representam. E garante não estar também preocupado com a possibilidade das múltiplas candidaturas à esquerda impedirem um destes candidatos de alcançar a segunda volta.
"O grande desafio deve ser esse, todos os candidatos puxarem o mais possível pela sua capacidade para sensibilizar as pessoas; se o fizerem, a esquerda terá a candidato na segunda volta e depois logo se resolve; mas isso fica para o dia seguinte, não é para agora", defende Carvalho da Silva.