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Presidenciais 2026

O "campista" António Filipe ri-se e diz que "se todos desistirem ganha à primeira volta"

07 jan, 2026 - 19:10 • João Maldonado

O candidato comunista esteve esta quarta-feira de manhã na Costa da Caparica para falar de problemas ambientais. Mas não conseguiu fugir ao tema António José Seguro. "Pode haver uma segunda volta em que as pessoas, se não conseguirem levar o candidato que querem, têm de votar contra o candidato que não querem, mas isso é quando não há alternativa."

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António Filipe bem conhece a região. Recorda que nos idos tempos de estudante, no secundário e na universidade, aqui vinha passar umas temporadas, com uma tenda atrás, regozijando-se com o calor de Verão da margem sul do Tejo. “A nossa preocupação era os exames e ver se passávamos, as pessoas quando crescem adquirem outras preocupações, eram tempos agradáveis, os meus amigos faziam férias com os pais por aqui e eu vinha com a minha tenda, no Clube de Campismo de Almada”.

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A proposta para a manhã ser passada na Costa da Caparica veio do PEV – Partido Ecologista “Os Verdes”. Uma das mais conhecidas caras desta fação, que em conjunto com o Partido Comunista Português (PCP ) forma a CDU – Coligação Democrática Unitária, é Heloísa Apolónia. Foi deputada na Assembleia da República e neste dia lidera a comitiva Rua dos Pescadores abaixo. Quer mostrar ao candidato presidencial uma localidade “bastante afetada pelos efeitos concretos das alterações climáticas”.

Apolónia lembra os riscos do aquecimento global, o avanço do nível do mar (e a necessidade de repor o areal), “os fenómenos extremos climáticos, o intensíssimo calor e as intempéries absolutas”. Pede para que o futuro morador do Palácio de Belém tenha mão firme nas questões ambientais, tentando garantir que tal se traduz em medidas e em contas no Orçamento do Estado. “Há uma falta de vontade política que nos preocupa bastante, o presidente da República tem o dever de alertar para estas matérias, impulsionar a ação”.

Apresentado o enquadramento, com as ondas da Caparica e um ou dois banhistas corajosos de fundo, António Filipe começa por lamentar a falta de tempo para este tema nos debates por estes dias. “Eu acho que as questões ambientais devem estar no centro, e se me perguntarem o que é que o presidente da República pode fazer relativamente a isso, eu acho que pode fazer aquilo que estou a fazer agora enquanto candidato, que é sensibilizar.”

Filipe quer “dar conteúdo concreto a esta campanha eleitoral”, trazendo temas da vida prática dos eleitores. No entanto, não há como fugir ao isco lançado por Jorge Pinto há escassas horas no debate a 11 - ainda que o homem apoiado pelo Livre tenha, entretanto, afirmado que a candidatura é mesmo para levar até à meta. Pinto queria uma concertação à esquerda para garantir a passagem de António José Seguro à segunda volta, temendo, naturalmente, que percentagem ali e percentagem aqui, por mais pequena que seja, tenha o poder de retirar o candidato apoiado pelo PS da segunda mão.

O problema é que António Filipe considera representar uma esquerda que mais ninguém neste quadro eleitoral representa. E por isso não é substituível. “É uma candidatura que não delega, não é uma candidatura satélite de nenhuma outra.” Tal modus operandi, de pensar em abandonos a favor de alguém, merece até troça: “Uma candidatura que acha que só lá vai se os outros desistirem, bom, então se todos desistirem, ganho eu à primeira volta”.

De Seguro, Gouveia e Melo ou Marques Mendes considera que representam o “consenso neoliberal” e que, por isso, “têm responsabilidade pela forma como o país tem sido governado e o estado a que chegámos”.

Balançando-se mais especificamente sobre o homónimo de primeiro nome, diz que são “amigos há 40 anos”, mas as diferenças políticas são “muito grandes”. Afinal, “o candidato de António José Seguro diz alguma coisa de esquerda?” Diferenças tão grandes, considera, que politicamente quem mais se aproxima de Seguro são "Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, que disputam eleitorados muito próximos”.

Recordando a célebre expressão do histórico comunista Álvaro Cunhal, que “engoliu um sapo” e votou à segunda volta das eleições de 1986 em Mário Soares (contra Diogo Freitas do Amaral), a Renascença lançou a questão a António Filipe.

E a resposta deixa pistas sobre o que poderá vir a acontecer em fevereiro, dizendo um pouco mais do que até agora tinha sido proferido: “A vantagem que existe numa eleição a duas voltas é a possibilidade das pessoas votarem no candidato que querem mesmo; quem numa primeira volta abdica de votar no candidato que considera que é o melhor candidato está a abdicar do seu direito de voto; votar num candidato com que eu não me identifico, só porque tenho medo que ainda haja outros piores, mas isso há sempre outros piores; pode haver uma segunda volta em que as pessoas, se não conseguirem levar à segunda volta o candidato que querem, têm de votar contra o candidato que não querem, mas isso é quando não há alternativa”.

Depois de longos minutos de insistência jornalística, António Filipe termina onde sempre esteve: venha quem vier não vai embora, mesmo que à chegada tenha à sua espera uma das medalhas de derrotado. “Quer dizer, qualquer dia ainda estou a votar no dia 18 e a perguntarem-me se vou desistir.”

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