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INEM. Candidatos a Belém dizem que anúncio do Governo é “tardio”, “estranho” e já “não salva” ninguém

08 jan, 2026 - 20:50 • Fábio Monteiro

A morte de três pessoas após atrasos no socorro pôs a Saúde no centro da campanha presidencial. Candidatos criticam Governo, exigem explicações e apontam falhas graves na resposta do Estado. A compra de ambulâncias não travou as críticas.

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As três mortes ligadas a atrasos na resposta do INEM, nas últimas 24 horas, levou, esta quinta-feira, os candidatos presidenciais a criticarem abertamente o Governo e a questionar a atuação da ministra da Saúde e do primeiro-ministro.

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Em Barcelos, Jorge Pinto considerou que Ana Paula Martins "já não tem condições para continuar no cargo".

O candidato apoiado pelo Livre disse estar "cansado de viver num país que corre atrás do prejuízo", referindo-se ao anúncio da compra de 275 novas ambulâncias.

"Ouvi as suas promessas de compra de novas ambulâncias e só me pergunto: Porquê agora?", questionou. Defendeu ainda que o Presidente da República devia ter agido mais cedo, chamando Luís Montenegro a Belém para reafirmar a prioridade de defender o SNS.

André Ventura, durante uma ação de campanha em Vila de Rei, também exigiu consequências políticas. "Parece querer proteger a todo o custo uma ministra que já mostrou que não serve", disse, avisando que o primeiro-ministro será "afetado a muito breve prazo por esta incompetência".

Ventura criticou ainda o que considera ser uma resposta padronizada do Executivo: "Cada vez que há um problema qualquer, o primeiro-ministro diz que vai arranjar mais 200 ambulâncias".

Por Valpaços, Henrique Gouveia e Melo considerou "estranho" o anúncio feito por Luís Montenegro. O candidato militar afirmou que "até com a melhor das intenções, parece sempre uma medida de gestão de crises comunicacional". Alertou ainda que estas decisões não devem ser tomadas apenas em reação a tragédias.

João Cotrim Figueiredo, em Vagos, classificou a compra das viaturas como "tardia", comparando-a a um gesto de "trancar a porta depois da casa roubada". Questionou por que razão estas ambulâncias não foram compradas antes do inverno, "época das gripes e das doenças respiratórias".

António José Seguro, em Évora, afirmou que "isso já não salva nenhuma das mortes que aconteceram", exigindo planeamento e racionalidade para o setor da Saúde.

Recusou comentar a permanência da ministra, alegando que "não entra no jogo partidário", mas sublinhou que o essencial é garantir o acesso efetivo aos cuidados de saúde.

Em Pedrógão Grande, António Filipe classificou a situação como "absolutamente dramática" e defendeu que, se fosse Presidente, chamaria o primeiro-ministro a Belém. Para o candidato, "este problema é suficientemente grave" para justificar um contacto excecional entre o chefe de Estado e o Executivo.

Catarina Martins, numa visita à Moita, considerou que Ana Paula Martins "nunca devia ter sido ministra", mas responsabilizou diretamente Luís Montenegro. "Estamos numa situação de calamidade na Saúde", afirmou, defendendo que se trata de um "problema global do Governo".

Já Marques Mendes, em Ferreira do Alentejo, apontou à direção executiva do SNS, que acusou de estar "desaparecida em combate". Embora sem defender a demissão da ministra, considerou que também ela "poderá dar uma palavra de explicação".

"Há responsabilidades, mas a primeira responsabilidade é dar uma explicação", sublinhou.

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