PRESIDENCIAIS 2026
Jorge Pinto não se opõe a nomear só mulheres para o Conselho de Estado
08 jan, 2026 - 13:26 • João Maldonado
Depois do ziguezaguear entre «desiste»/«não desiste», Pinto está para ficar e traz ideias para o órgão de aconselhamento do Presidente da República. Diz que as cinco escolhas feitas por Belém devem assegurar a representatividade de mulheres, regiões e da "visão jovem". Ao 5.º dia de campanha, Rui Tavares surge pela primeira vez, com críticas aos outros candidatos da esquerda política.
Jorge Pinto atravessa a sala onde dezenas de silenciosos estudantes se debruçam, nesta altura de exames, sobre as mais variadas matérias. São o futuro do país e o candidato presidencial quer estar perto. Da reunião com a Associação Académica de Lisboa, no Espaço Caleidoscópio, retira, em primeiro plano, as dificuldades no acesso à habitação para os deslocados.
É que não dar condições aos mais novos é, para Pinto, uma forma de perder os melhores quadros que Portugal poderia ter. “Muitos deles não conseguem sequer entrar na universidade porque sabem que não vão conseguir pagar a sua habitação, e pior, há aqueles que até conseguem entrar, até fazem aqui alguns meses, mas depois percebem que não têm os meios financeiros para continuar a estudar, porque as rendas estão a um valor incomportável para os seus bolsos”.
Jorge Pinto quer perceber onde há edifícios públicos que possam servir de residências estudantis, sem esquecer a aposta nos cuidados de saúde mental entre os mais jovens, garantindo também que as faculdades são local profícuo de criação de laços, “num clima político cada vez mais polarizado, cada vez mais assente na discussão e no ódio”.
Questionado pela Renascença sobre a composição do Conselho de Estado, onde Luís Marques Mendes quer colocar, venha o que vier, um jovem, Jorge Pinto entende que tal premissa não é minimamente suficiente. Nas cinco escolhas que o Presidente da República tem à sua disposição para o órgão de aconselhamento, Pinto diz é necessário “assegurar a representatividade do mesmo se ela não for assegurada nas nomeações feitas pelos partidos políticos na Assembleia da República” – que contam com outros cinco representados. Ou seja, para o candidato não basta falar em sub-30, é preciso ir mais longe.
“Esta representatividade passa por muitas coisas, desde logo a representatividade de género, nem que todas as minhas nomeações tivessem de ser de mulheres. O mesmo em relação às regiões de origem dos representantes... Acho que é importante ter Portugal, na sua pluralidade, representado. E também uma representação etária, ou pelo menos de visão, porque não é por ter menos de 30 anos que um nomeado vai trazer uma visão mais jovem. Isso não é automático”, remata, em tom de crítica ao candidato apoiado pelo PSD.
Nestas declarações na zona do Campo Grande, em Lisboa, Jorge Pinto voltou ainda a demonstrar preocupações com um possível processo de revisão constitucional feito apenas pelos partidos de direita. “Estou com medo”, admite, referindo-se a eventuais alterações nos direitos laborais e na política fiscal.
Ao quinto dia de campanha oficial, o candidato apoiado pelo Livre contou pela primeira vez com o líder do partido. Rui Tavares não está muito interessado em estabelecer metas percentuais a alcançar nesta primeira volta, mas vem de língua afiada para se atirar à esquerda, de onde provem. “Teria alguma inquietude com alguns outros candidatos, nomeadamente até do meu campo político, da minha família política, que perante esta situação acabam por achar que o que devem fazer é a política do costume. Essa política do costume não tem uma responsabilidade maior de defesa da nossa democracia como aquela que o Jorge Pinto pôs em cima da mesa desde o início. É um candidato que me orgulha muito, que orgulha e honra muito a política portuguesa e que deve ter orgulho no percurso que está a fazer”, defende.
Naturalmente confrontado com o ziguezaguear de «desiste»/«não desiste» (que entretanto Pinto clarificou com um redondo «é para ficar»), Rui Tavares elogia sempre a campanha do mais novo candidato a este escrutínio. “Até outros candidatos, outros partidos... não o dirão, certamente, na televisão, mas depois em privado dizem... 'Que grande quadro que é o Jorge Pinto'. É um valor que é trazido, que é agora apresentado ao país, porque eu teria vergonha era de apoiar um candidato que só consegue chamar atenção pelo discurso de ódio. Eu teria vergonha era de apoiar um candidato que um dia que fosse jurar a Constituição era para deixar pela calada da noite um ataque à Constituição ser feito sem o Presidente da República fazer nada", remata.
- Noticiário das 19h
- 18 jun, 2026









