08 jan, 2026 - 15:51 • Ana Kotowicz
[notícia atualizada às 18h26 - Ministério da Saúde esclareceu à Renascença que o Governo vai adquirir 163 e não 63 novas ambulâncias]
O INEM vai contar com mais 275 novas viaturas e 163 delas serão ambulâncias. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro durante o debate quinzenal desta quinta-feira no Parlamento, mas Montenegro não disse quando serão entregues aos serviços de emergência médica.
O Ministério da Saúde esclareceu à Renascença que são 163 novas ambulâncias e não 63, como se percebeu inicialmente das declarações do primeiro-ministro.
Ainda segundo Luís Montenegro — que deixou claro que a ministra da Saúde vai continuar no Governo —, a aquisição foi aprovada na véspera do debate quinzenal, num investimento de quase 17 milhões de euros.
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Na sua declaração inicial, o primeiro-ministro começou por apresentar as condolências às famílias das pessoas que morreram nos últimos dias "que não terão tido a resposta mais rápida do sistema de emergência, apesar do reforço, feito na região de Setúbal e de Lisboa que envolve a totalidades das ambulâncias disponíveis".
Um homem de 68 anos morreu na quarta-feira em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro. No mesmo dia, morreu uma mulher, de 60 anos, na Quinta do Conde, Sesimbra, também à espera do INEM. Estes casos acontecem depois de, na terça-feira, um homem de 78 anos ter morrido no Seixal, após ter estado quase três horas à espera de socorro.
A aquisição das viaturas, explicou o PM, conclui "um processo começado há meses" e tem por objetivo "reforçar a capacidade de resposta do INEM", sendo o "maior investimento do género da última década" no setor da saúde.
"Para reforçar essa capacidade, foi ontem aprovada a aquisição de 275 novos viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros. São 63 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos, o maior investimento do género da última década", disse o primeiro-ministro perante os deputados. No entanto, este total perfaz 175 veículos, não tendo ficado claro se houve um engano nas contas do primeiro-ministro ou se há outras viaturas a que não fez referência. Mais tarde, o Ministério da Saúde esclareceu a Renascença que se tratam de 163 ambulâncias, e não 63, totalizando as 275.
"Nos últimos dez anos apenas tinham sido adquiridos para o INEM apenas 100 veículos, num valor total de 4,2 milhões de euros, o que corresponde a cerca de um quarto do investimento decidido ontem por este Governo", continuou Montenegro.
Com este argumento, o primeiro-ministro sublinha que está "a resolver um problema crónico" e "a corrigir um desinvestimento herdado", cujas consequências tiveram impacto grave no sistema de emergência.
Montenegro anunciou ainda que, já esta quinta-feira, numa reunião realizada entre as ministras da Saúde e do Trabalho, "foi decidida criar uma resposta rápida de 400 e 500 camas em unidades intermédias", com o objetivo de retirar dos hospitais casos sociais que ocupam camas que deveriam estar a ser usadas para urgências.
Todos estes investimentos, disse, estão enquadrados na reforma profunda do INEM, que está em curso, e que pretende garantir uma resposta mais rápida dos serviços de emergência.
Esta sexta-feira, anunciou ainda Montenegro, o Conselho de Ministros vai aprovar resoluções para o lançamento do concurso para a construção do novo Hospital do Algarve, "uma obra estrutural".
Já na fase de perguntas dos deputados, e depois da insistência de Pedro Pinto (Chega) sobre a continuação da ministra da Saúde em funções, o primeiro-ministro deixou claro que não pretende deixar cair Ana Paula Martins: "A ministra da Saúde está no Governo e vai continuar no Governo."
"Num contexto em que estamos a resolver os problemas estruturais da saúde, em que estamos a reforçar os meios disponíveis, (…) num contexto em que estamos efetivamente a ter ganhos em termos de eficiência do sistema, em que apesar das dificuldades temos um sistema que responde com mais rapidez, os problemas da saúde não se resolvem com demissões nem com jogadas politico ou político-partidárias", disse Luís Montenegro.