08 jan, 2026 - 22:49 • Lusa
candidato presidencial Humberto Correia defendeu hoje que, caso seja eleito, vai solicitar ao Governo a construção de "100 mil habitações sociais por ano", destinadas aos jovens, mães solteiras, vítimas de violência doméstica e pensionistas.
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"O Estado tem de construir habitação social e, se eu for eleito, o Governo, seja qual for a sua cor política, terá de construir 100 mil habitações sociais por ano. A Áustria tem 40 por cento de habitação social e Portugal tem dois por cento", precisou o candidato.
Humberto Correia falava aos jornalistas à margem de uma ação de campanha nas ruas de Beja, o 16.º distrito que percorreu nas últimas semanas enquanto candidato presidencial.
O também pintor, que trabalhou 15 anos na construção civil, explicou que estas habitações sociais se destinariam aos jovens, mães solteiras e vítimas de violência doméstica, salientando também que, independentemente da sua condição, estas pessoas têm de trabalhar.
"Quando o jovem atinge os 18 anos, automaticamente tem direito a uma habitação de 30 metros quadrados com um aluguer de 90 euros por mês. Depois, as mães solteiras, que têm muitas dificuldades e que têm de ser favorecidas, as mulheres que sofrem de violência doméstica e os idosos que têm pensões muito baixas em relação ao preço da habitação", disse.
Questionado quanto à possibilidade de ser eleito e, consequentemente, solicitar ao Governo a execução desta proposta, Humberto Correia afirmou que "o Presidente tem o que se chama a magistratura de influência e a comunicação social", e serão esses "os dois pilares" que permitirão fazer pressão para que a medida se concretize.
"Por exemplo, vai haver uma verba que vai ser atribuída para comprar armas. É um erro. Os portugueses não precisam de guerras, já contamos com as nossas e nas últimas ninguém nos ajudou. Pelo contrário, essa verba deve ser destinada à habitação social, porque são 5,8 mil milhões de euros", afirmou, referindo em seguida que "com essa verba podíamos resolver muita coisa e construir muita habitação social".
Para especificar como a medida entraria em vigor, o candidato presidencial revelou que as habitações de 30 metros quadrados teriam um preço de arrendamento de 90 euros, seguindo-se tipologias de 50 metros quadrados a 150 euros e 80 metros quadrados a 240 euros.
"Eu funciono ao metro quadrado porque estive na construção civil durante muitos anos e tenho noção das coisas. São esses os preços em relação àquilo que as pessoas ganham", referiu.
Envergando um traje semelhante ao de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, o candidato assumiu-se como "republicano" e declarou que "não podemos voltar atrás", explicando que a sua indumentária serve apenas para "dar impacto".
"Se eu viesse para aqui como os outros candidatos, de fato e gravata, não dava impacto. Assim, destaco-me dos outros", justificou.
Outra das questões que o diferencia, segundo o próprio, dos seus adversários à Presidência da República é o facto de estar a utilizar apenas transportes públicos na sua campanha eleitoral.
"Comecei em Guimarães, na cidade Berço. Este é o 16.º distrito, só me falta Setúbal e depois Portalegre. Em Beja venho fazer aquilo que fiz nos outros distritos, ou seja, andar assim vestido, abordar as pessoas com o meu cartão e passar a mensagem de aproximação com as pessoas e com o povo português", disse, confirmando de seguida que distribui cerca de 250 cartões por ação de campanha.
Questionado sobre a sua perceção quanto à qualidade dos acessos, nomeadamente rodoviários e ferroviários, Humberto Correia admitiu ter ficado "surpreso" por Portugal estar "muito bem servido" a esse nível, admitindo apenas que as linhas férreas poderiam "melhorar um pouco".
Humberto Correia é um dos 11 candidatos às eleições presidenciais do próximo dia 18, juntamente com Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.