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Presidenciais. Pestana diz que luta para dar condições aos jovens requer coragem

08 jan, 2026 - 22:58 • Lusa

André Pestana diz que há condições para garantir salários dignos e travar a emigração jovem. Candidato denuncia discriminação nos debates e pede coragem para enfrentar o poder financeiro.

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O candidato presidencial André Pestana defendeu hoje que é possível proporcionar trabalho e salário dignos aos jovens e evitar a emigração, considerando que é preciso coragem para enfrentar o poder financeiro.

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"Há muito dinheiro em Portugal. Há condições, ao contrário do que dizem, para todos vivermos e trabalharmos com dignidade. Só que não há coragem para enfrentar onde há esse dinheiro, porque, de facto, são essas pessoas que depois controlam os media", considerou.

Para Pestana, esse é o motivo de a sua candidatura ser "uma das poucas que foi claramente discriminada", aludindo ao facto de só ter tido "direito a um debate, o chamado debate final, em que para os outros [candidatos] já era o 29.º e, para mim e para outros dois, era o primeiro".

O sindicalista falava aos jornalistas em Coimbra, em frente à sede principal dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), num ato simbólico ligado aos "problemas que são transversais" aos transportes públicos e privados do país, no âmbito da sua campanha eleitoral a Presidente da República.

Na ocasião, deu especial destaque à necessidade de valorizar as carreiras para garantir que os jovens portugueses permaneçam no país.

"Se os nossos jovens, que é como eu defendo, encontrarem trabalho e salários dignos em Portugal, não vão emigrar", sustentou.

Apesar de salientar que a vida no estrangeiro pode ser uma escolha motivada pela vontade de novas experiências, defendeu que muitos portugueses "saem com as lágrimas nos olhos, porque queriam ficar em Portugal, ao pé dos seus amigos, dos seus pais, dos seus familiares".

Entretanto, saem porque não encontram salário digno, enquanto no estrangeiro recebem, "pelo mesmo trabalho, quatro ou cinco vezes mais".

"Há muitas pessoas que vivem muito acima do que os trabalhadores normais vivem, mas agora é preciso ter coragem e os outros não têm tido coragem. Têm já 60 deputados, já tiveram no Governo, como o Chega, PS e PSD, e não fizeram nada. Há que fazer algo e tem que ser com alguém que venha do trabalho e que diga a verdade", pontuou.

Segundo o sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), "também não vai ser nenhum Presidente da República sozinho que vai mudar" o cenário atual.

"São as mobilizações sociais das pessoas que podem transformar a vida", defendeu.

"Como Presidente, estarei sempre ao lado dessas lutas, pelo bem comum, a favor dos trabalhadores, a favor da natureza, porque é isso que pode garantir um futuro digno para nós e para os nossos filhos", sublinhou.

Nas declarações em frente à sede principal dos SMTUC, o candidato salientou que entre os principais desafios do setor dos transportes estão as frotas envelhecidas e a falta de trabalhadores, sendo este último relacionado com a questão central da desvalorização da carreira.

"Houve uma grande desvalorização da carreira, por exemplo, dos motoristas, desde que a 'troika' veio e não foi alterada essa situação", asseverou.

No entender do sindicalista, "isto só pode ser resolvido – e quem fala dos transportes, fala do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública, da justiça para todos – se tivermos de facto grandes investimentos".

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026, às quais concorrem 11 candidatos.

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