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Presidenciais 2026

António Filipe acusa primeiro-ministro de "falta de noção"

09 jan, 2026 - 01:14 • Lusa

O candidato presidencial não se recorda de uma "situação tão grave como esta" no setor da Saúde.

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O candidato presidencial António Filipe acusou esta quinta-feira o primeiro-ministro de "falta de noção" por afirmar que a capacidade de resposta na saúde é hoje melhor do que há um ano.

"Eu acho que estas declarações revelam falta de noção. (...) Eu acho que é inquestionável que a situação se está a degradar", afirmou António Filipe em reação à intervenção feita por Luís Montenegro durante o debate quinzenal na Assembleia da República.

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O candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV já tinha falado hoje sobre as falhas na saúde, a propósito da morte de três pessoas alegadamente por atrasos na assistência pré-hospitalar, e voltou ao tema, depois do debate no parlamento.

António Filipe não ouviu o debate por estar em ações de campanha, mas afirmou não se recordar de uma "situação tão grave como esta" que se está a atravessar nas urgências hospitalares, apontando para "uma inquestionável" degradação "que se acentuou nos últimos tempos".

Luís Montenegro anunciou a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros, respondeu a críticas da oposição sobre os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e das urgências hospitalares e afirmou que a capacidade de resposta hoje é melhor do que há um ano.

"Eu acho que pior do que está hoje era quando não tínhamos o SNS. O SNS foi um grande passo, designadamente em matéria de indicadores relativos à política de saúde, em matéria de mortalidade infantil, assistimos à erradicação de várias doenças que deixaram de existir por via da vacinação", referiu António Filipe.

O ex-deputado comunista disse que o SNS "foi um grande passo em frente".

"A situação em que vivemos hoje torna evidente que existe uma estratégia e que tem vindo a ser posta em prática pelas políticas governamentais seguidas, no sentido de degradar o SNS e, com isso, beneficiar o negócio privado da doença", defendeu António Filipe.

O candidato disse que é preciso que haja "uma viragem política que valorize o SNS, o que "não está a ser feito", e considerou que o primeiro-ministro "tem que assumir a responsabilidade".

O candidato presidencial falava aos jornalistas depois de um encontro com mulheres, no centro de Lisboa, onde falou de discriminação laboral e a violência, nomeadamente doméstica, e defendeu que a "igualdade é um princípio a atingir".

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro.

Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde e a campanha eleitoral decorre até 16 de janeiro.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.

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