09 jan, 2026 - 17:45 • Manuela Pires
O tema da saúde continua na ordem do dia e, durante a visita à associação social dos idosos da Amoreira, em Cascais, Marques Mendes fez exercícios de fortalecimento muscular e calçou as luvas de boxe para trocar alguns socos com o presidente da Câmara de Cascais.
Marques Mendes, que nos últimos dias tem poupado a ministra da Saúde e pedido explicações apenas à direção executiva do SNS sobre as mortes por alegada falta de socorro, considera que o ambiente político em torno desta área mais parece um combate de boxe que não conduz a qualquer solução.
“É de facto aqui um combate de boxe, é aqui um pingue-pongue, mas, ao fim do dia, fica tudo igual. Eu gostaria que as coisas avançassem de maneira diferente”, disse aos jornalistas.
O candidato apoiado pelo PSD repete até à exaustão que não é o candidato nem será o Presidente do Governo, e quer deixar claro, para memória futura, que, com ele em Belém, o SNS vai ter um apoiante de peso.
“Eu serei, em Belém, um defensor intransigente do Serviço Nacional de Saúde, porque considero que é das maiores conquistas da democracia portuguesa e alguma coisa, de fundo, vai ter de mudar”, disse Marques Mendes, que promete mexer com os interesses instalados dos partidos.
“Os grandes partidos nem gostam sequer disto, porque gostam de liberdade para nomear as pessoas mais próximas de si, com base num cartão partidário”, garantiu.
Marques Mendes, que, ao contrário dos adversários que só “dizem generalidades”, apresenta duas propostas: uma passa pela contratação de gestores através de concurso público e a segunda pela valorização dos salários desses gestores.
“Em todas as áreas da saúde, a escolha dos dirigentes deveria ser feita com base em concurso público, para que se afirmasse o mérito e nunca a decisão com base num cartão partidário. Segundo, um gestor na saúde não tem de ganhar milhões, mas tem de ter uma remuneração maior do que aquela que tem. O barato sai caro”, concluiu, em declarações aos jornalistas.
Mendes recusou comentar a compra de 275 ambulâncias, apresentada ontem pelo primeiro-ministro no debate quinzenal, por considerar que um Presidente da República deve estar “um bocadinho acima” do que diz o Governo ou a oposição.
Em declarações aos jornalistas, Marques Mendes acusou ainda o adversário na corrida a Belém, João Cotrim Figueiredo, de ser “um cata-vento”, com alguns “comportamentos ridículos”, afirmando que não tem competência para ocupar o cargo ao qual se candidata.
“Eu acho que há alguns comportamentos do candidato da Iniciativa Liberal que me parecem cair no ridículo, serem completamente ridículos”, criticou Mendes, lembrando que Cotrim está agora “aparentemente muito próximo, apaixonado pelo Governo”, mas que há um mês “considerava o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo um orçamento péssimo”.
“Acho que isto é um bocadinho ridículo”, salientou, pedindo “um bocadinho mais de decência e de coerência”. Luís Marques Mendes acusou Cotrim Figueiredo de “andar aos ziguezagues” e de parecer “um cata-vento”.
Ao longo da campanha, Marques Mendes já avisou que o caminho não pode ser a dispersão de votos e que ele é o único que garante a estabilidade política no país. Esta manhã de sexta-feira, o candidato apelou a quem ainda não decidiu em quem vai votar no próximo domingo.
“As pessoas hoje em dia decidem cada vez mais tarde e, portanto, o número de indecisos prolonga-se até muito tarde, e é preciso falar para esses. Neste momento, acho que é a minha maior preocupação”, referiu.
Questionado sobre se há no eleitorado da AD muitos indecisos, Marques Mendes diz que não e desafia os jornalistas a aguardarem até ao dia das eleições. “Não, tenho uma análise completamente diferente da vossa. No dia 18 veremos se são os analistas a ter razão ou se sou eu a ter razão”, rematou.
Com sondagens negativas e com pouca mobilização em ações de rua, Marques Mendes contou esta sexta-feira com o apoio de António Lobo Xavier, antigo dirigente do CDS. Tal como o candidato, acredita que as sondagens estão enganadas.
“As sondagens de que falamos são um tipo especial de sondagens, que não têm aquela segurança nem aquela certeza que, por vezes, encontramos noutras alturas, e eu não estou preocupado com isso. Acho que ele é o melhor e, portanto, vou com ele até à última”, referiu Lobo Xavier aos jornalistas, no centro de dia em Cascais.
Em Lisboa, Carlos Moedas junta-se à campanha para dar apoio ao candidato “moderado” e com “serenidade”.
“É um candidato que tem votos à esquerda e à direita, mas tem esses votos naquilo que é hoje o mais importante, que são os moderados, essa moderação tão importante hoje na política, que não é o político deste ou daquele, mas o político que junta as pessoas”, disse Carlos Moedas.
O autarca de Lisboa concorda que, nesta altura, o país precisa de um candidato com experiência política. “A experiência política aqui é importantíssima para o país, porque hoje aquilo que vemos é um populismo que cresce, à direita e à esquerda, criando personagens políticos que não têm qualquer experiência”, afirmou Carlos Moedas.