10 jan, 2026 - 14:20 • Manuela Pires , Daniela Espírito Santo
Em Viana do Castelo, o som dos bombos chama a atenção das poucas pessoas que andam pelas ruas da cidade e a comitiva, onde está também Rui Moreira (mandatário nacional), espera pelo candidato, que fica rodeado pelas bandeiras e pelos apoiantes. Mas nem foi preciso andar muito para encontrar logo um homem que diz ser votante do PSD mas que, desta vez, escolheu outro candidato.
Marques Mendes tinha acabado de sair do carro, em Viana do Castelo, e ainda nem tinha tomado café, quando ouviu um homem dirigir-se a si e garantir que não ia votar nele.
"Não vou votar em si", disse. "Não? Então pronto, se quiser vir tomar um café comigo, conversamos", respondeu o candidato. O homem, que garante ser "votante no PSD" recusa o convite, porque está atrasado para o trabalho. Mendes não consegue convencer este homem, que admite aos jornalistas que vai votar em João Cotrim de Figueiredo e, já dentro da pastelaria onde vai tomar um café, ainda nem se tinha sentado e já uma mulher o aborda, para fazer um apelo sobre as baixas pensões e os jovens.
"Olhe por nós, pelos reformados", pede. "Milagres não se pode fazer mas, ao menos, tentar ajudar, para que a gente tenha uma vida digna", diz a mulher.
Aos lamentos de quem o aborda, Marques Mendes garante que "não deve haver candidato que tantas vezes fale dos idosos". A mulher junta, então, ao debate a questão dos jovens, que "querem comprar casa, mas não podem porque recebem ordenados mínimos e não têm condições".
Ao longo do percurso, Marques Mendes também ouviu palavras de incentivo e apoio mas, quase a terminar, uma mulher aborda-o para apontar o dedo à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, numa semana marcada pela morte de três pessoas enquanto esperavam pelo socorro do INEM. "A ministra não presta para nada, tem de ir para a rua", diz.
Marques Mendes não se importa com o desabafo, mas admite que "vai ser difícil resolver" o problema do SNS "enquanto não houver mexidas reformistas na saúde".
O candidato presidencial garante que "já apresentou várias ideias" sobre este dossiê, mas que não vai pedir a cabeça de nenhum governante.
"Defini há muitos meses que um Presidente da República não tem que avaliar um ministro nem pedir a demissão de um ministro. Isso não é tarefa do Presidente da República", repete.
[Notícia atualizada às 15h25 de 10 de janeiro de 2026 para acrescentar mais detalhes]