12 jan, 2026 - 11:12 • Olímpia Mairos , com Alexandre Abrantes Neves
O candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, admitiu esta segunda-feira que não exclui apoiar André Ventura numa eventual segunda volta das eleições presidenciais, caso não consiga ficar entre os dois mais votados no próximo domingo.
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À margem de uma ação de campanha no mercado do Fundão, Cotrim de Figueiredo foi questionado sobre o cenário de ficar fora da segunda volta e de um eventual confronto entre Ventura e outro candidato. O liberal afirmou que qualquer decisão terá de ser cuidadosamente ponderada, sublinhando que não fecha a porta a nenhum nome.
“Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda sobre que candidatos vamos estar a falar”, começou por dizer, acrescentando que vê sinais de mudança no líder do Chega.
“O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Quer dizer que se moderou o discurso e parece um político diferente. Teria de fazer essa reflexão. Não excluo ninguém”, afirmou.
Em sentido contrário, João Cotrim de Figueiredo garantiu que, se for ele a chegar à segunda volta, dispensa apoios formais de outros candidatos, defendendo que os votos pertencem aos eleitores e não às candidaturas.
“Não acho que precise”, afirmou. “Os votos não são dos candidatos, são das pessoas. As pessoas terão de fazer essa escolha. Estão lá dois candidatos, escolham”.
O candidato liberal foi ainda mais longe, rejeitando a lógica dos apoios cruzados: “Eu não preciso de ‘endorsement’ de ninguém, lamento. E, nesse sentido, se calhar, também não preciso de dar ‘endorsement’ a ninguém. Eu não sou dono dos votos que me confiaram na primeira volta”, disse.
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Cotrim respondeu também às críticas feitas na última noite por Gouveia e Melo, que apontou os vídeos do candidato liberal a fazer o pino nas redes sociais como sinal de falta de seriedade. Para Cotrim, essas críticas revelam nervosismo dos adversários.
“Esqueceram-se de olhar para mim. Esqueceram-se de que, quando eu digo que tenho possibilidade de ir à segunda volta, é porque acho mesmo que tenho e que deviam ter levado isso a sério”, afirmou. “Acordaram agora, estão um bocadinho desorientados”, atirou.
Questionado pela Renascença sobre a ideia de que “os problemas do país não se resolvem a fazer o pino”, o candidato respondeu com ironia: “Talvez se eles soubessem fazer o pino não necessitassem da mesma coisa. Estão a defender as suas próprias candidaturas”, destacou.
Cotrim de Figueiredo deixou ainda um recado aos restantes candidatos, desafiando-os a centrarem-se nas suas propostas para o país. “Estão a dizer ao que vêm? Estão a dizer o que fariam diferente a partir da Presidência da República? Não”, criticou. “Portanto, parem de olhar para o lado, façam melhor as candidaturas e talvez não sejam surpreendidos”, completou.
Mais tarde, confrontado pela Renascença sobre o que tinha mudado — o candidato apoiado pela IL chegou a dizer que apoiaria todos menos Ventura —, Cotrim respondeu que "não mudou absolutamente nada". Agora há uma "convicção que a dinâmica de campanha me obriga a ponderar profundamente aquilo que vai ser o cenário na segunda-feira".
De resto, desvalorizou as declarações do início do dia. "Qual é a dúvida desta frase? Não excluo nenhuma hipótese, incluindo André Ventura, incluindo Seguro, incluindo Manuel João Vieira, incluindo não apoiar ninguém. Os meus queridos adversários, mantenham a calma, não tentem interpretar as palavras que eu não disse como alguma assunção de alguma coisa que não seja extrema confiança no que está a acontecer, porque não são eles que vão determinar quem é que está na segunda volta, são os portugueses e esses estão, ao que tudo indica, a escolher crescentemente apoiar esta candidatura."
[Notícia atualizada às 16h27 com novas declarações de Cotrim à Renascença]