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Presidenciais 2026

António Filipe alerta para o “campeonato da moderação”

14 jan, 2026 - 00:53 • João Maldonado

O candidato presidencial deixa críticas aos concorrentes ao Palácio de Belém. Diz que a moderação é apenas para manter o país na mesma “ou pior”. Filipe quer contrariar a ideia de que “a Esquerda fica com má-fama e a Direita com o proveito”.

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António Filipe alerta para o “campeonato da moderação”
Ouça a reportagem de João Maldonado. Foto: Lusa

“Abril presente, António a Presidente.” É assim, como tem sido ao longo dos últimos dez dias, que é recebido o candidato comunista. No terceiro e último ponto de agenda está na Sociedade Filarmónica Operária Amorense. No concelho do Seixal sente-se naturalmente confortável. Afinal, por aqui tanto em 2021 como em 2025 saiu vencedora a CDU nas eleições autárquicas.

A casa está cheia. Mais uma vez impressiona a capacidade de mobilização que os comunistas continuam a ter. Mesmo que as sondagens não sejam tão amigas – já lá vamos -, as cadeiras não chegam para todos os interessados em ouvir o que tem a candidatura de António Filipe a dizer numa terça-feira à noite. Há pessoas de mais idade, como é também costume, mas desta vez há também gente mais nova representada.

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A sondagem da Universidade Católica é um dos factos políticos deste dia. Não há como fugir e, por isso, ainda antes da chamada sessão pública começar, já António Filipe clarificava que espera “naturalmente um bom resultado”, dando como exemplos “iniciativas muito participadas” que tem tido. De qualquer forma, caso as previsões que rondam os 2% de votação se confirmem, “cá estarei, com a mesma determinação e com as mesmas convicções, com a minha intervenção política, tal como tenho feito até aqui”. Do gabinete das frases que ficam para mais tarde recordar fica ainda um: “Não ando na vida política de calculadora na mão”.

No palco as hostilidades são abertas pela presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Amora, que modera todo o processo. Fala o mandatário do candidato no Seixal, o responsável por Setúbal, um apoiante, e também Paula Santos. A líder parlamentar do PCP sublinha que esta é “a candidatura dos trabalhadores”, encabeçada por um homem de quem destaca “a integridade”, “a honestidade” ou o “humanismo”.

António Filipe escolhe falar cerca de 20 minutos. Logo no arranque estabelece a moldura do que garante representar. “Esta candidatura não é de uma pessoa só, é nossa, é vossa, pela Democracia, pelos valores de Abril, do combate ao fascismo”. E aos jovens piscou mais uma vez o olho, explicando que “não podemos esperar por miragens futuras, os salários precisam de aumentar agora”.

Olhando à forma como têm sido levadas a cabo as outras candidaturas, o comunista alarma para “uma espécie de campeonato da moderação”, onde “todos querem ser mandatários”. Para António Filipe, “isso da moderação é uma outra forma de dizer que querem deixar tudo na mesma ou pior”.

Como o país está não pode, para o comunista, continuar. Referindo-se às áreas da Saúde e da Justiça, apontou também ferozes críticas, referindo que “não precisamos de pactos, precisamos é de políticas de acordo com a Constituição”. E, para isso, “para enfrentar o peso da Direita na política nacional, é preciso Esquerda”. Mas não uma Esquerda tímida, que “faz de conta que é de Esquerda” – sim a Esquerda que diz ser o único a alavancar e que contraria a ideia de que “a Esquerda fica com má-fama e a Direita com o proveito”.

Assim termina, entre apoiantes, com mais um discurso e muitos abraços, o décimo dia de campanha para António Filipe. Com alguns lançamentos de novas farpas, mas mantendo-se coerente aos pilares da sua candidatura: a defesa dos direitos dos trabalhadores, dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, e, em geral, da Constituição. À tarde, tinha participado na manifestação organizada pela CGTP contra o pacote laboral que o Governo tenta aprovar, alterando a legislação correspondente.

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