14 jan, 2026 - 09:30 • Alexandre Abrantes Neves
Já tinha mudado de discurso e apelado ao voto útil, já tinha assumido que queria concentrar o centro-direita, já tinha até dito em alto e bom som que “Marques Mendes está fora da segunda volta”. Cotrim de Figueiredo considerou que havia mais passos a dar ainda e, por isso, arrancou os últimos três dias de campanha sem papas na língua: a fazer um apelo público ao presidente do PSD onde pede a Luís Montenegro para apoiar a sua candidatura.
“Sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por vossa excelência, assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República”, começa por referir o texto.
“Exorto-o a fazê-lo por estar certo de que, tal como eu, não deseja ver o candidato do Partido Socialista nem o candidato do Partido Chega no Palácio de Belém. A minha candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário”, vinca, horas depois de a sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público o colocar em terceiro lugar, a quatro pontos de António José Seguro e bem acima de Luís Marques Mendes.
No rol de argumentos, Cotrim aposta forte na fragmentação política do PSD que acredita que a sua candidatura está a provocar, nas citações e também numa estratégia de “olho por olho, dente por dente”.
Na tentativa de enfraquecer a candidatura de Marques Mendes, o também eurodeputado assegura que já tem o apoio de “grande parte dos eleitores e dirigentes do PSD” e recorda as declarações do próprio Montenegro no início da campanha.
Num apelo ao voto em Marques Mendes, o presidente social-democrata afirma que “não podemos cair na armadilha de dispersar votos e ficarmos amarrados a não termos escolhas boas na segunda volta”. Cotrim diz que “não poderia estar mais de acordo” e que, por isso, agora é hora de os apelos ao voto útil na sua candidatura também virem do PSD.
Entre os argumentos, o antigo líder liberal recua até às autárquicas de outubro e ao apoio que deu às candidaturas do PSD em Lisboa e no Porto para dizer que confiou no PSD e que o fez por considerar que seria “o melhor para Portugal”. A narrativa de colocar os interesses nacionais em primeiro lugar permitem a Cotrim regressar a uma das bases desta campanha: a sucessão do pensamento de Francisco Sá Carneiro, fundador social-democrata.
“Sei que mudar o sentido de uma decisão destas exige coragem, mas, como nos ensinou Francisco Sá Carneiro, ‘Primeiro o país, depois o partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um’”, afirma, pedindo a Montenegro que se “junte” às vozes do PSD que já o apoiam.
Depois das polémicas com a denúncia de assédio sexual e sobre o “abrir de porta” (já desmentido) num apoio a Ventura numa eventual segunda volta, Cotrim tenta aqui recentrar as atenções, firmar que não quer pescar em águas do Chega e voltar a atacar o eleitorado de Marques Mendes. Para isso, regressa também à carta que enviou a Montenegro na semana passada, onde se anunciava como um “aliado construtivo” para as reformas do Estado.
“Portugal precisa de um Presidente exigente, que colabore com o Governo na implementação das reformas urgentes de que o país precisa para ter um futuro melhor. Conte comigo. Eu conto consigo. Os portugueses contam connosco”, sublinha no apelo desta terça-feira.