14 jan, 2026 - 01:22 • Susana Madureira Martins
A sondagem da Universidade Católica era discretamente desejada e houve como que uma espécie de libertação no discurso António José Seguro que fez, esta terça-feira, no Barreiro, a intervenção com mais mensagem política do período oficial de campanha, onde, sem entrelinhas, pediu o primeiro lugar na primeira volta.
“Não chega passar à segunda volta e aqui sou muito exigente. Nós temos que passar à segunda volta em primeiro lugar, porque não podemos permitir que passados 50 anos sobre o 25 de Abril, o candidato do extremismo e do radicalismo, que insiste em nos dividir e pôr portugueses contra portugueses, possa passar em primeiro lugar nesta eleição”, disse numa referência a André Ventura, que nunca nomeia.
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A somar a esta ideia, Seguro já tinha defendido uma outra no diálogo com um eleitor de esquerda com quem se cruzou antes na baixa de Setúbal e que lhe disse que votaria nele na “segunda volta”. O socialista respondeu-lhe, de imediato: "Imagine, passam dois candidatos da direita, como é que o senhor vai dormir?".
Para o candidato a Belém, "a melhor maneira de o senhor ter o voto no Seguro e poder depositá-lo na segunda volta é votar já na primeira" volta.
O segundo momento de libertação no discurso corrente de Seguro ocorreu quando, claramente, esta terça-feira à noite no Barreiro se mostrou satisfeito por ter recebido o apoio do PS. “Foi muito bom”, admitiu o ex-líder do partido que disse com todas as letras que esse apoio “não contamina esta candidatura, porque ela foi, é e será sempre uma candidatura suprapartidária. Mas é importante ter recebido”.
Na segunda-feira, perante a manifestação de apoio do ex-líder do PS Pedro Nuno Santos, o socialista agradeceu, mas mostrou algum desconforto, dizendo mesmo “o candidato sou eu”. O fantasma de um eleitorado demasiado à esquerda diluiu-se a partir do momento em que a sondagem surgiu. Seguro sabe que precisa, também, desse eleitorado.
De resto, o socialista tem querido alargar o eleitorado potencial na sua candidatura e agradeceu ainda o apoio de Inês Sousa Real, a líder do PAN e do deputado único do JPP, Filipe Sousa.
A terceira libertação de Seguro ocorreu na sequência da derrapagem de João Cotrim de Figueiredo, quer nas sondagens, quer na segunda-feira negra do antigo líder da IL. O socialista tenta pescar o eleitorado total de centro, esquerda e direita e, agora, também o liberal.
“Aquilo que tenho visto é gente que quer trabalhar. Pagar impostos justos, mas que exige que o Estado lhe retribua em bens, na Saúde, na Educação, na proteção social. O empresário não se importa de pagar impostos, mas quer que o Estado não condicione a sua iniciativa. Não aborreça, não limite, não leve meses e meses e meses e anos a tratar de papéis ou exigir burocracia a essas empresas”, defende Seguro, numa linha liberal a que ainda não tinha ido.
Seguro entra, assim, na reta final da campanha eleitoral das presidenciais a atirar a um eleitorado o mais abrangente possível: dos “moderados” aos liberais, da esquerda à direita ao centrão. O eleitorado total, no fundo.