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Cotrim imune a "campanha suja". Mariana Leitão garante que nunca houve queixa ou denúncia de assédio

15 jan, 2026 - 23:59 • Alexandre Abrantes Neves com Lusa

O candidato presidencial chegou a jantar-comício em Matosinhos acompanhado pela líder da Iniciativa Liberal, que saiu em defesa de João Cotrim de Figueiredo no caso da denúncia de alegado assédio sexual e endureceu as críticas à comunicação social.

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No penúltimo dia de campanha, marcada pelo caso da denúncia de assédio, o candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo contou esta quinta-feira à noite com o regresso da líder da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, para mostrar que não foi um equívoco e que a sua candidatura e o partido estão convencidos que a comunicação social faz parte da "campanha suja" que pretende prejudicá-lo com a denúncia de alegado assédio sexual.

Num jantar com mais de 500 apoiantes no Porto de Leixões, Cotrim de Figueiredo avisou que a "campanha suja, feita de insinuações e ruído não funciona, nem vai funcionar", estando "bem enganados" aqueles que acham que o vão destruir.

Cotrim Figueiredo chegou acompanhado por Mariana Leitão e, num discurso de cerca de 17 minutos, começou por dizer que há por aí quem ache que o consegue parar, mas quem acha isso está bem enganado.

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Quanto mais subia nas sondagens "mais numerosos, insidiosos e torpes se tornaram os ataques", disse o candidato, apoiado pela IL, perante uma sala de cerca de 500 pessoas.

"Por isso eu digo com emoção, mas serenidade e sem rodeios, olhando-vos nos olhos: a campanha suja, feita de insinuações e ruído, que questiona sem verificar e acusa sem provar, não funciona e não vai funcionar", frisou, regressando nas entrelinhas às críticas da tarde aos jornalistas que acusou de "cúmplices" na polémica de alegado assédio sexual a uma ex-assessora.

O antigo líder da IL garantiu que a essa campanha suja não vai responder nem com medo, nem com vitimização.

"Aqui estou, imparável, cabeça erguida, peito aberto, com coragem e pronto. Pronto para nos levar à segunda volta, pronto para fazer história", atirou.

Nos últimos dias, Cotrim Figueiredo viu-se confrontado com uma denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar da IL.

Negando as acusações e revelando que vai avançar com uma queixa-crime por difamação, o candidato presidencial acusou ainda a comunicação social de ser "culpada e cúmplice" pelo destaque dado ao tema.

"Por isso, apelo aqui aos portugueses para não se deixarem distrair, para não se deixarem enganar como estão muito enganados aqueles que acham que me vão conseguir desmobilizar, ou pior ainda, destruir", salientou. E repetiu por duas vezes: "Bem podem tentar, não vão conseguir".

Cotrim Figueiredo reiterou que não vão conseguir destruí-lo porque já toda a gente percebeu que a sua candidatura incomodou muita gente. "O sucesso e o crescimento da nossa campanha assustaram muitos interesses", insistiu.

Reafirmando estar "de pé e pronto para a luta", Cotrim Figueiredo salientou que se candidata porque acredita num Portugal livre, confiante e exigente.

"Eu candidato-me porque recuso aceitar que Portugal se resigne, que fique pequeno e prisioneiro do medo ou da mediocridade", salientou.

Além disso, Cotrim Figueiredo reforçou que se candidata porque vê um país "cansado de promessas ocas e de jogos de poder sem valor" e um país de líderes que administram o declínio em vez de ousarem mudar o rumo. "Eu não me candidato por ambição pessoal", concluiu, para dar lugar a um momento artístico onde se ouviu a música "Não há estrelas no céu" de Rui Veloso: "Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar", ecoou pela sala.

"Nunca houve, qualquer queixa, relato ou denúncia"

A presidente da Iniciativa Liberal assegurou que “não há, nem nunca houve, qualquer queixa, relato ou denúncia” de assédio sexual envolvendo o candidato presidencial Cotrim Figueiredo.

“Quero deixar aqui bem claro para todo o país ouvir. Não há, nem nunca houve, qualquer queixa, relato ou denúncia sobre o João Cotrim Figueiredo”, vincou Mariana Leitão no comício de Matosinhos, que pediu que não se cedesse a "manobras".

Depois de Cotrim, também Mariana Leitão trazia no bolso críticas aos jornalistas e a confirmação de que esta parece ser uma nova estratégia eleitoral do partido, semelhante àquela que agrada ao eleitorado do Chega – no púlpito, a líder liberal lamentou que “a comunicação social, em busca de polémicas gratuitas, se tenha demitido de fazer o seu trabalho mais básico”.

Nesse momento, os cerca de 500 apoiantes presentes na sala aplaudiram e gritaram “Cotrim, Cotrim, Cotrim” enquanto agitavam bandeiras de Portugal – e alguns saíram inflamados e motivados para criticar cara a cara a comunicação social, chegando uma apoiante a sussurar ao ouvido de uma jornalista "Atenção, isto é assédio".

“É lamentável que a política tenha chegado a este ponto, ao ponto em que a calúnia fácil, mesmo sobre matérias graves, sem qualquer tipo de evidências ou provas passa a ser tomada como facto consumado”, assinalou.

Afirmando que está a seu lado, a liberal assegurou que não vão conseguir travar Cotrim Figueiredo com “manobras baixas e movimentações nas sombras que procuram manter Portugal refém dos interesses instalados, nomeadamente dos instalados de sempre”.

Segundo Mariana Leitão, as eleições de domingo são demasiado importantes para se alimentarem de falsidades.

“E todos nós temos responsabilidade, o político que é escrutinado tem a responsabilidade de dizer a verdade, mas quem leva as informações às pessoas também tem a responsabilidade de verificar factos e não disseminar mentiras”, insistiu.

[Artigo atualizado às 01:38 de 16 de janeiro de 2026]

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