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Debate digital Renascença

Inteligência Artificial. O algoritmo esteve na campanha, já o debate ficou por fazer

16 jan, 2026 - 15:29 • José Pedro Frazão

O autor de "Algoritmocracia", Adolfo Mesquita Nunes, defendeu na Renascença que é preciso começar a debater a possível intromissão de agentes maliciosos externos nas eleições portuguesas. O advogado diz que um Presidente da República pode puxar por um debate sobre requalificação profissional ou literacia mediática. Quanto aos desafios da inteligência artificial, os debates são muitos mas ficaram à porta da campanha presidencial portuguesa.

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Adolfo Mesquita Nunes elenca cinco desafios que podiam ter sido abordados pelos candidatos pela relevância que têm para Portugal no contexto internacional de predominância da Inteligência Artificial.

"Como é que a soberania nacional e europeia pode estabelecer-se num quadro em que o digital tem tanto poder e tanta importância? Quando é possível criar ecossistemas de desinformação, como é que preservamos a liberdade de escolha das pessoas?", questiona o antigo militante do CDS no debate digital especial organizado pela Renascença no seu canal YouTube.

As três encruzilhadas restantes para o próximo ciclo presidencial lidam com o impacto social e económico da inteligência artificial em Portugal. Ao nível da competitividade da economia portuguesa, face à "disrupção brutal" da Inteligência Artificial "como é que preparamos a economia portuguesa e a economia europeia para isso?".

Do ponto de vista da educação e da qualificação "como garantimos que o sistema de ensino prepara as pessoas e lhes dá as ferramentas necessárias?", questiona Mesquita Nunes, deixando ainda uma interrogação final sobre a preparação do Estado para dialogar com os cidadãos através das ferramentas de modernização.

A sombra sobre as eleições

O jurista sustenta que a inteligência artificial esteve na campanha pelo impacto dos algoritmos que condicionaram as publicações políticas nas redes sociais. "A existência de um ecossistema político filtrado por algoritmos ajuda a explicar muito daquilo que estamos a assistir hoje", alerta Adolfo Mesquita Nunes na Renascença.

O autor de "Algoritmocracia" argumenta que a desinformação condiciona o panorama político português "de forma brutal", pela " velocidade, escala e sofisticação" dadas a rumores, boatos e mentiras. A origem pode estar ligada a algoritmos que "premeiam conteúdos que causam indignação, medo, receio e alimentam uma agenda que permite que soluções mais radicais ou mais antissistema possam vencer".

Mas, na análise de Adolfo Mesquita Nunes, tomar a forma de "uma campanha orquestrada" em que um "agente malicioso externo" pode criar um ecossistema informativo em plena campanha eleitoral, em torno de determinado tipo de temas.

"Então temos de perceber que temos um problema. Porque estamos a falar das eleições, da legitimidade democrática, da formação da vontade eleitoral. Se isso pode ser, como nunca antes, condicionado por agentes externos, então temos um problema sobre o qual devemos refletir", observa Adolfo Mesquita Nunes.

Contrariar o descrédito da democracia

Do ponto de vista da soberania, Adolfo Mesquita Nunes é claro." A guerra também se faz assim. Para destruir uma democracia, podemos fragilizar as suas instituições, desacreditando-as". Entre os pilares da democracia, a dúvida pode corroer o regime ao ponto deste acabar confortado num líder autoritário.

" Se não acreditarmos que as sentenças dos tribunais são justas ou eventualmente erradas, mas feitas no melhor dos pressupostos; se acreditarmos que a comunicação social está comprada, que os deputados estão todos a favor do sistema, que a Presidência da República e o Parlamento não servem para nada, às tantas, onde é que as pessoas vão encontrar conforto?", desafia o ex-militante do CDS.

Sobre o possível incremento da literacia digital para combater estes riscos, Adolfo Mesquita Nunes fala num " desafio brutal" pelo que implica ao nível da formação das pessoas que ainda vão ministrar essa literacia. "Nós não temos propriamente esse movimento aqui".

No domínio da requalificação profissional, o ex-secretário de estado do Turismo alerta que esta é uma função não apenas do Estado mas também dos empresários. Mas cabe ao setor público introduzir a inteligência artificial neste debate, defende Mesquita Nunes.

"É preciso criar instrumentos quer de previdência social, quer de requalificação profissional para garantir que as pessoas se possam requalificar. Está tudo de braços cruzados nessa matéria". O papel do Presidente da República é decisivo, "porque marca agenda, marca debate, convida à reflexão", remata Adolfo Mesquita Nunes.

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