21 jan, 2026 - 15:16 • Cristina Nascimento , Susana Madureira Martins
O Chega pressiona Luis Montenegro para dizer quem apoia na segunda volta das eleições presidenciais. No arranque do debate quinzenal no Parlamento, o deputado Pedro Pinto começa a intervenção por aludir aos resultados do passado domingo e questiona diretamente o primeiro ministro e presidente do PSD para que se pronuncie sobre se apoia António José Seguro ou André Ventura.
Na resposta, Montenegro lembra que está no Parlamento enquanto primeiro-ministro e não como presidente do PSD, mas referiu que, quer ao Governo, quer ao PSD, cabe "respeitar a pronúncia do voto" dos portugueses.
Pedro Pinto retomou a palavra para insistir na pergunta sobre os apoios políticos para a segunda volta das presidenciais e também para denunciar dificuldades na votação da emigração, revelando que o Chega recebeu cinco mil queixas de emigrantes que não conseguiram ou tiveram dificuldades.
Montenegro desafia, entretanto, o Parlamento a legislar para que se facilite o voto dos imigrantes. O primeiro-ministro propõe “um processo de reflexão e decisão dos instrumentos legais para que se possa incrementar a participação”.
O primeiro-ministro garante que, “da parte do Governo, foi feito esforço máximo para que fosse facilitado o voto dos imigrantes”.
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Numa outra intervenção, o deputado Pedro Pinto trouxe ao debate as questões relacionadas com a saúde, considerando que a situação é de caos. Montenegro rejeita essa ideia, mas admite que há "dificuldades e constrangimentos" no setor.
O primeiro-ministro enumerou dados sobre o atendimento diário de milhares de utentes no Serviço Nacional da Saúde e classificou que "há uma grande desproporção entre as noticias e o serviço prestado no SNS".
Hugo Soares acusa Pedro Pinto de "flic-flac à retaguarda"
Segue-se a intervenção do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares que critica o dirigente do Chega, Pedro Pinto, por desafiar Montenegro a dizer quem apoia nas presidenciais.
Soares lembrou citações de André Ventura durante a campanha para a primeira volta das presidenciais e criticou o líder parlamentar do Chega: "Vem aqui o Pedro Pinto pedir ao primeiro-ministro para apoiar o candidato André Ventura? Ou não teve oportunidade de concertar posição com o seu candidato ou então faz aqui um flic-flac à retaguarda".
Hugo Soares cita, entretanto, uma longa carta que de uma jovem cidadã dirigida ao Governo sobre a aquisição de uma habitação à boleia de um programa público. Acaba por lançar a crítica aos deputados do Chega. "Entretiveram-se a fazer comentários jocosos. O essencial das políticas públicas é resolver o problema de cada um dos portugueses".
Numa longa intervenção, Montenegro vem em socorro de Soares e acrescenta que a ação do Governo "visa transformar o país" e mudar a capacidade dos serviços públicos para criar soluções para os problemas para que cada um usufrua do resultado da nossa ação". O primeiro-ministro reconhece ainda que a Habitação é um dos "maiores constrangimentos ao desenvolvimento económico do país" e refere que "temos de agradecer aos jovens portugueses que acreditem em Portugal".
No final da intervenção anuncia que, esta quinta-feira, o Conselho de Ministros irá aprovar diplomas sobre a mobilidade, para "mais investimento no domínio da mobilidade, com transportes mais competitivos".
Desafiado pelo PS, Montenegro anuncia "avaliação" sobre excesso de mortalidade
O primeiro-ministro anunciou, entretanto, que Governo está a fazer uma avaliação para apurar o excesso de mortalidade no país, quando confrontado pelo líder do PS sobre a existência de mais 22% de óbitos.
Luis Montenegro alude a uma "epidemia de gripe e vaga de frio" e anota que o registo de mortalidade tem sido "homogéneo" no país e em várias faixas etárias acima dos 65 anos, acrescentado que é um "abuso" considerar que as mortes "estão relacionadas com falta de assistência".
Montenegro respondia a José Luis Carneiro, líder e deputado do PS, que trouxe ao debate também questões relacionadas com o risco de pobreza. Carneiro cita as preocupações da Rede Europeia Anti-Pobreza que, garante o socialista, lamenta que o combate a este fenómeno não seja encarado como "prioridade política".
Mariana Leitão acusa Montenegro de ter falhado ao centro-direita. Montenegro cola IL ao Chega
Intervém agora Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal, que retomou o tema das presidenciais. "Decidiu colocar os interesses partidários à frente dos do pais e que o levam a que não exista um candidato de centro-direita", lamenta a dirigente da IL
Na resposta, Montenegro diz que "este não é o fórum apropriado" e atirou a Leitão que deixou de ser candidata presidencial "para assumir um lugar partidário". A líder liberal não se deixou ficar referindo que desistiu de ser candidata à Presidência da República "por uma opção estratégica", atirando ao primeiro-ministro: "Não traí o meu país".
"Sabemos qual vai ser o resultado final, lamentou ainda Mariana Leitão, acusando o primeiro-ministro de colocar o país num "abismo": "Foi o senhor primeiro-ministro que decidiu colocar todo o peso político dos seus ministros e o seu líder parlamentar, a sua bancada, tudo em campanha a apoiar o seu candidato derrotado nas eleições.O candidato que nem sequer teve adesão do centro-direita".
Mariana Leitão vaticina ainda: "O que vai acontecer é atirar o país para uma crise política com consequências imprevisíveis", levando como resposta do primeiro-ministro que a IL "quis retirar-se da esfera dos partidos políticos que estão disponíveis para convergir com o Governo para contrariar os oito anos de estagnação com os governos socialistas.
O primeiro-ministro colou ainda a IL ao Chega referindo que já ouviu Pedro Pinto no início do debate que "quer fazer um pacto com o diabo. Não sei com quem a IL quer fazer pactos", questionou-se ainda, salientando que este Governo fez aprovar um Orçamento do Estado que "diminui os impostos sobre os rendimentos do trabalho. Um liberal está contra isto? Um OE que tem uma trave mestra que é a simplificação do Estado".
Livre aborda presidenciais e pacote laboral
Tal como outros partidos, a deputado do Livre Isabel Mendes Lopes criticou Luis Montenegro por não assumir uma indicação de voto para a segunda volta das presidenciais, questionando o primeiro-ministro como é que se vai sentar no Conselho Europeu quando não esclarece se vota num “europeísta democrata” ou em alguém que “quer destruir o regime”.
Montenegro assegura que os colegas do Conselho Europeu conhecem-no bem e responde, considerando curioso que os mesmos que o criticaram por participar na campanha eleitoral, agora critiquem-no também por escolher não participar.
A líder da bancada parlamentar do Livre abordou ainda a questão do pacote laboral, considerando que a legislação “claramente” não é “aceite pela sociedade”.
Raimundo acusa Montenegro de querer "salvar" governação ao não apoiar ninguém na segunda volta das presidenciais
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo regressa ao tema das presidenciais, acusando o primeiro-ministro de querer "salvar" a sua política "desastrosa" ao não apoiar nenhum candidato na segunda volta.
Montenegro, na resposta, reitera o que disse sobre o "posicionamento" do PSD sobre eleições presidenciais e justifica que o Governo está concentrado "em governar, em executar programa do Governo".
Sobre as presidenciais, o primeiro-ministro recusa taticismos e diz que os dirigentes do PSD participaram "enquanto estruturas partidárias na campanha eleitoral" e cabe agora "a cada um de nós" avaliar as opções, rematando que "os espaços políticos que estão em confronto não são o nosso". Montenegro ainda ouve de Raimundo que "se o seu posicionamento não é tático, ainda é mais grave".
CDS contesta que “único voto legítimo e democrático” seja no candidato do PS"
O deputado do CDS Paulo Núncio inicia a sua intervenção retomando o assunto das presidenciais que, disse, não seria tema para os debates quinzenais.
Ainda assim, dedicou-se a comentar o assunto, atirando contra o PS. “O PS não esteve no boletim de voto e não ganhou absolutamente nada. Tudo o resto é puro oportunismo político”, disse.
Núncio refere ainda que a segunda volta vai ser travada entre um democrata e um antidemocrata, mas que “qualquer candidato que receba voto popular tem legitimidade democrática”.
“Era o que mais faltava que o único voto legítimo e democrático fosse no candidato do PS”, disse.
BE lamenta "erro de perceção" do PM na Saúde
Fabian Figueiredo, deputado único do Bloco de Esquerda, arranca a intervenção a criticar o "erro de perceção" sobre o funcionamento Serviço Nacional de Saúde, lamentando que Montenegro entenda que os "os problemas do SNS são de perceção". "No SNS temos a dureza dos factos, de falta de médicos de família, medicamentos caros".
O bloquista deixa o desafio ao primeiro-ministro: "Está disponível para deixar para lá a senhora ministra da Saúde?". Montenegro nem responde em concreto a esta pergunta, recusando que alguma vez tenha dito que os problemas do SNS são uma perceção. "Há uma perceção de caos no SNS e não é verdade", reconhecendo que "ainda estampos com muitos problemas para ultrapassar".
Fabian volta a falar para dizer que "navegar à vista também é uma forma de navegação, é o que o primeiro-ministro tem feito e devia mudar de rota", aconselha o bloquista. Aproveita ainda para perguntar a Montenegro se com a neutralidade sobre a segunda volta das presidenciais "está à espera dos votos do Chega para impor o pacote laboral", mas fica sem resposta por falta de tempo do primeiro-ministro.
Sousa Real questiona neutralidade do PM sobre presidenciais
A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, questiona a "neutralidade" de Luís Montenegro em relação a um "populista" e um candidato que pode garantir "estabilidade democrática". "Não vejo bem onde está a dúvida", diz a deputada, avisando sobre "o não é não mais ou menos definitivo passe para um talvez".
Montenegro usa de ironia na resposta e diz que já foi acusado de tudo, de participar excessivamente na campanha e de ser "muito neutral".
JPP aborda Montenegro sobre mobilidade aérea e Lei das Finanças Regionais
Filipe Sousa, eleito pelo JPP - Juntos Pelo Povo, trouxe ao debate questões relativas à mobilidade aérea, acusando o Governo de não ter “mínima noção dos constrangimentos” da população que vive nas ilhas.
O deputado madeirense questionou ainda o Governo sobre o processo de revisão da Lei das Finanças Regionais.
Sobre as questões da mobilidade, Montenegro aludiu a uma plataforma que está a ser desenvolvida que permitirá melhorar o sistema de reembolso.
Já quanto às finanças regionais Montenegro garante que estão a “trabalhar diretamente” com elementos dos Governo para “acelerar” o processo.
- Noticiário das 17h
- 21 jul, 2026





