Presidenciais 2026
IL não apoia ninguém, mas Mariana Leitão vota “sem entusiasmo” em Seguro
22 jan, 2026 - 21:31 • Alexandre Abrantes Neves
Em entrevista à SIC Notícias, a líder da IL justificou a decisão dizendo que o "espaço de centro-direita reformista" do partido não está representado na segunda volta. Sobre o seu voto, Leitão junta-se a vozes como Carlos Guimarães Pinto e Mário Amorim Lopes e garante o voto em Seguro, mas "sem entusiasmo".
A Iniciativa Liberal (IL) decidiu não declarar oficialmente o apoio a nenhum candidato na segunda volta das eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 8 de fevereiro – apesar de a líder Mariana Leitão assumir que vai votar “sem entusiasmo” em António José Seguro.
"A Iniciativa Liberal não vai apoiar nenhum dos candidatos, na medida em que o seu espaço político, o espaço político reformista do centro-direita, não é representado por nenhum deles. E, como tal, a Iniciativa Liberal não vai fazer campanha por nenhum destes candidatos na segunda volta", afirmou a presidente do partido, Mariana Leitão, esta noite em entrevista à SIC Notícias.
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A posição oficial do partido (adiada desde o último domingo por Mariana Leitão que disse “querer ouvir os órgãos do partido”) não impediu, no entanto, a própria presidente de assumir que, entre Seguro e Ventura, se vê obrigada a colocar a cruz no nome do antigo líder do PS. “Vou votar sem entusiasmo em António José Seguro”, afirmou Mariana Leitão.
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"Eu rejeito, liminarmente, aquilo que é a forma de fazer política do outro candidato, o populismo, o divisionismo e a política através da mentira. E, portanto, como rejeito e repudio e não me revejo absolutamente nessa forma de fazer política, fiz a minha opção", esclareceu, voltando a dizer que o espaço de centro-direita não está na segunda volta por culpa de "Luís Montenegro".
Para a líder liberal, a escolha em António José Seguro parece ser um "mal menor", por não encontrar em nenhum dos candidatos o "espírito reformista" que diz ter visto nas eleições do último domingo, em que um conjunto "alargado" de pessoas demonstrou querer "mudança, reformas, um país diferente" e que já não se reveem "na forma tradicional dos partidos que têm governado o país".
Ainda assim, e apesar de esperar uma relação "cordial" com Seguro, a líder da IL diz não encontrar nenhum destes pontos no antigo líder socialista.
"Também não demonstrou ter o sentido reformista e de mudança que esta franja do eleitorado que manifestou claramente nestas eleições que quer essa mudança precisa", defendeu. "A Iniciativa Liberal, enquanto partido, estar a fazer campanha por alguém que pode, inclusivamente, vir a ser uma força de bloqueio em Belém pode não ir ao encontro das necessidades das pessoas, pode não permitir que o país ande para a frente e limita-se a ficar tudo exatamente na mesma".
"É importante que António José Seguro consiga chegar e não ser só Presidente da República pela rejeição ao outro candidato, mas ser Presidente da República porque consegue falar para várias franjas do eleitorado e consegue agregar", disse ainda.
Antes de Mariana Leitão, também o líder parlamentar, Mário Amorim Lopes, o vice-presidente da Assembleia da República, Rodrigo Saraiva, e o fundador da IL, Carlos Guimarães Pinto, já tinham anunciado o voto em António José Seguro.
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Apesar das polémicas, João Cotrim de Figueiredo passou a campanha eleitoral a subir as expectativas e a garantir que passaria à segunda volta. O objetivo ficou por cumprir, mas o terceiro lugar com mais de 900 mil votos representou mais do dobro do que o resultado da IL nas legislativas de 2025 – e isso levantou questões sobre possíveis aspirações para Cotrim regressar à liderança do partido.
"Mas não é isso que se pretende num candidato presidencial? Mas um candidato presidencial, para poder sequer disputar uma segunda volta, tem de ter uma margem substancial do eleitorado. Para poder ser presidente da República, tem de convencer a metade da população. Mas era suposto eu ter um candidato que valesse menos do que a Iniciativa Liberal?", questionou, ironicamente, a líder da IL, quando questionada sobre a influência do resultado no futuro da IL.
Sobre a uma possível disputa pela liderança da IL, Mariana Leitão não respondeu, limitando-se a dizer que "isso é algo a perguntar a Cotrim de Figueiredo" e a assumir que o antigo candidato presidencial "faz falta à política portuguesa". Perante o balanço do resultado nas presidenciais, a presidente liberal preferiu repetir as bandeiras comuns do partido para tentar provar que consegue segurar os votos confiados a 18 de janeiro.
"Agora é preciso continuar a dar soluções", assumiu. "Há um conjunto alargado de pessoas que querem mudança, reformas e que já não conseguem contentar-se com a governação do país nas últimas décadas. A IL tem sido a única voz ativa na representação destas pessoas, das reais necessidades do país”.
[Artigo atualizado às 22h44 com mais declarações de Mariana Leitão]
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