Casa Comum
“O PSD tem de existir”. Duarte Pacheco espera uma posição formal do PSD sobre segunda volta
22 jan, 2026 - 13:29 • José Pedro Frazão
No programa "Casa Comum", o ex-deputado espera que o seu partido não fique a meio da ponte e tenha ainda uma posição final sobre o ato eleitoral de 8 de fevereiro. A Seguro aconselha distância pública face ao PS e ao Governo recomenda aposta nas reformas "com resultados visíveis" para agarrar eleitorado de Cotrim de Figueiredo.
O social-democrata Duarte Pacheco ainda espera que Luís Marques Mendes possa dizer em quem vai votar na segunda volta. No programa "Casa Comum", o ex-deputado do PSD considera "importante que todas as figuras que defendem a democracia possam transmitir o seu sentido de voto", respeitando que um candidato não seja dono dos votos para os endossar a um outro concorrente.
Duarte Pacheco apoiou Marques Mendes na primeira volta e anunciou o seu voto em António José Seguro nas eleições de 8 de Fevereiro. Da mesma forma, o social-democrata aguarda que o seu partido tome uma posição formal, além da opinião já expressa por Luís Montenegro.
"Prefiro que o PSD tenha uma posição, para que fique claro. Há momentos em que querer ficar em cima da ponte não é bom para ninguém, nomeadamente para o próprio PSD", argumenta Duarte Pacheco.
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O comentador social-democrata salienta que a segunda volta joga-se entre duas personalidades "com ideias muito diferentes sobre o país" que contam com retaguardas partidárias fortes," nomeadamente o Partido Socialista, que, como se tem vindo a ver desde domingo, quer cavalgar o resultado de António José Seguro".
Pacheco insiste que "o PSD tem que existir" na segunda volta. "É o maior partido do centro-direita em Portugal, tem responsabilidades históricas, mas, sobretudo, no presente, na governação das regiões autónomas, das autarquias e do governo do país", sublinha o ex-deputado que deixa ainda um alerta ao seu partido. "As pessoas vão 'perder a virgindade' [no plano político, ao votar em Ventura], e ao fazerem-no, numas próximas eleições, se não estiverem satisfeitos com a atual governação, certamente poderão votar no Chega".
Responder ao eleitorado Cotrim com reformas
No rescaldo da primeira volta, Duarte Pacheco considera que o Governo da AD deve responder ao eleitorado de Cotrim de Figueiredo com "reformas que tenham resultados visíveis". Na análise do ex-deputado do PSD, estas foram as bandeiras do candidato liberal "e o eleitorado do centro-direita pensa que o país precisa de ser reformado".
Questionado sobre a possibilidade de uma remodelação com a entrada de protagonistas do espaço político da Iniciativa Liberal, Duarte Pacheco prefere pôr o foco na necessidade de mudança.
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"Essa mudança significa que tem de ser o PSD a protagonizá-la. Se não o fizer, aí sim, estamos tramados. O PSD estará tramado", alerta Duarte Pacheco na Renascença. "Aquilo que precisamos é que o governo efetue reformas com resultados visíveis e que não esteja só a gerir a situação".
O socialismo em excesso pode assustar
Ao apoiar António José Seguro, Duarte Pacheco deixa três conselhos de campanha a António José Seguro. Em primeiro lugar alerta que os jovens não consideram que o debate "entre democracia e não-democracia" seja relevante. "Em segundo lugar, Seguro não pode dizer que é o candidato que quer espelhar o setor democrático e depois recusar debates."
Por fim, Duarte Pacheco aconselha Seguro a não se prender demasiado ao PS para não afastar indecisos que nunca votaram nos socialistas.
"Os eleitores que hoje têm dificuldade de escolher entre André Ventura e António José Seguro, porque nunca votaram no PS e não querem mostrar apoio a alguém que se identifica com o Partido Socialista, podem ficar em casa se perceberem que essa candidatura está muito ligada ao PS", avisa Duarte Pacheco incitando ainda a liderança do Partido Socialista a dar "um passo atrás e a querer manter-se resguardada para não prejudicar a candidatura de Seguro".
Duarte Pacheco adverte que uma abstenção elevada do centro-direita "significa que André Ventura catapulta os seus votos e que o mesmo número de votos, em vez de valer 23%, vale logo 30 ou 35%".
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