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Assembleia da República

Parlamento: Jornalista impedido de questionar intenções de voto de deputados do PSD

28 jan, 2026 - 18:30 • Catarina Magalhães, com Lusa

Seguranças do Parlamento questionaram o trabalho de um jornalista da revista "Sábado" que procurava saber o sentido de voto da bancada de direita nas eleições presidenciais. O gabinete do presidente da Assembleia da República afirma que a intervenção aconteceu após uma queixa por "comportamento considerado suspeito".

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Um jornalista da revista "Sábado" foi abordado na passada quarta-feira, no dia 21, por elementos do corpo de segurança da Assembleia da República (AR) depois de estar a interpelar os deputados do PSD sobre o sentido de voto para a segunda volta das eleições presidenciais.

Segundo a notícia avançada pela própria revista, o jornalista Tomás Guerreiro percorria os corredores do hemiciclo, espaço "autorizado a circular, trabalhar e abordar deputados", para entender as intenções de voto dos sociais-democratas.

O trabalho procurava recolher depoimentos dos deputados, já que nem o Governo nem o PSD, ambos liderados pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, vão recomendar o voto em António José Seguro ou André Ventura.

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O profissional da equipa "Sábado" começou o trabalho de campo na tarde nos corredores do Parlamento de dia 20 de janeiro. Porém, no dia seguinte, foi abordado por três agentes. O jornalista teve de explicar o motivo do trabalho e das perguntas e, momentos depois, um superior "proibiu a continuação da reportagem sem autorização especial".

Segundo a mesma revista, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, pediu aos deputados para não prestarem declarações ao jornalista.

Entretanto, Hugo Soares já se demarcou de qualquer responsabilidade da atuação da equipa de segurança parlamentar e garantiu que desconhece quem fez a queixa.

Já a secretária-geral do Parlamento, Anabela Leitão Cabral Ferreira, disse, em declarações à "Sábado", que o Parlamento "é um espaço com regras próprias de circulação e permanência".

Anabela Leitão acredita que é uma situação de extremo zelo, mas disse que não pode revelar a identidade do funcionário que fez a queixa.

"Comportamento considerado suspeito"

Em reação, o gabinete do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou esta quarta-feira que os serviços de segurança intervieram junto de um jornalista da revista "Sábado" após uma queixa de um funcionário por "comportamento considerado suspeito" e "abordagem entendida como pouco habitual".

"O procedimento em causa teve origem numa queixa apresentada por um funcionário da Assembleia da República, relativa a um comportamento considerado suspeito e a uma abordagem entendida como pouco habitual a deputados que circulavam naquele espaço."

"A intervenção dos serviços de segurança decorreu dessa avaliação", refere uma nota de Aguiar-Branco aos representantes dos jornalistas parlamentares.

"Importa sublinhar, das informações prestadas ao gabinete, que esta situação não teve qualquer relação com grupos parlamentares, nem com qualquer intenção, que seria inaceitável, de condicionar ou impedir o exercício do trabalho jornalístico, o qual é plenamente reconhecido e valorizado no funcionamento democrático da Assembleia da República e pelo seu presidente, em particular", indica o presidente da Assembleia da República.

Já a Associação de Jornalistas Parlamentares (AJPAR) manifestou, em comunicado, preocupação face à intervenção dos serviços de segurança parlamentares.

"No caso em apreço, o jornalista estava identificado com a credencial, sendo incompreensíveis as razões que terão levado à intervenção dos serviços de segurança, e ainda mais inaceitáveis as considerações sobre a necessidade de 'autorização' para realizar trabalho jornalístico", considerou a AJPAR.

A AJPAR recordou que "desde os anos 90 do século passado, quando no caso conhecido como a 'Guerra dos Corredores' existiu uma tentativa de limitar o acesso e permanência dos jornalistas nos corredores dos grupos parlamentares, ficou estabelecido que os jornalistas podem circular nesses espaços, o que tem acontecido com toda a tranquilidade e respeito pelas regras de boa convivência".

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