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José Carlos Vasconcelos

"Seguro está na linha de pensamento de Mário Soares, Ventura não tem nada a ver com Freitas do Amaral"

06 fev, 2026 - 21:21 • José Pedro Frazão

Apoiou Mário Soares na segunda volta em 1986 quando estava no Parlamento como deputado do PRD, que na altura veio quebrar o bipartidarismo em Portugal, penalizando o PS. Num debate digital especial na Renascença, José Carlos Vasconcelos recusa semelhanças entre André Ventura e Freitas do Amaral, mas alerta que Seguro não tem grande carisma, o que pode ser contornado pelo uso adequado da palavra como Presidente da República. O veterano jornalista considera que Luis Montenegro cometeu “erros políticos incríveis” na gestão política da segunda volta das Presidenciais.

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A carreira jornalística de José Carlos Vasconcelos começou ainda no Estado Novo e orgulha-se de ter dado em primeira mão a notícia da fundação do CDS em 1974.

A longa carreira permite-lhe arriscar as comparações possíveis entre os candidatos das segundas voltas de 1986 e 2026.

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“Seguro é uma pessoa na linha que se pode considerar do pensamento de Mário Soares. Ventura não tem nada a ver com Diogo Freitas do Amaral. Freitas do Amaral era um homem, nem direi de direita. O CDS dizia-se sempre ‘rigorosamente ao centro’. Diogo Freitas do Amaral era um homem culto, inteligente, e um conservador católico, convicto defensor da doutrina social da Igreja, como aliás o era Adelino Amaro da Costa”, relata José Carlos Vasconcelos, num debate especial na Renascença que comparou os contextos de segunda volta em presidenciais nas eleições de 1986 e 2026.

José Carlos Vasconcelos assinala que Freitas do Amaral “encarnou um bocado e tinha atrás de si forças, até da direita que ele não gostaria muito que o apoiassem”.

O histórico diretor do Jornal de Letras fala em eleições “totalmente diferentes” e que mostram uma “evolução bastante triste e com certas ameaças à democracia”, numa referência à candidatura de André Ventura. A ambiguidade oficial de CDS e PSD em relação ao apoio a candidatos na segunda volta faz também parte do bloco de notas de José Carlos Vasconcelos.

"Luís Montenegro demonstrou uma grande falta de visão, para não dizer mesmo de competência política na noite das eleições. Já sabiam que os jornalistas iam pôr essa questão - e deviam pô-la - mas ele não tinha nada que responder naquela altura a isso. Um político diria que "se e quando entendermos, tomaremos uma posição a esse respeito". Não é na própria noite das eleições que vão dizer alguma coisa. Isso são erros políticos incríveis", classifica o antigo dirigente do Partido Renovador Democrático (PRD).

Vasconcelos lembra que teve uma posição discreta na primeira volta das presidenciais em 1986 e acabou por apoiar Mário Soares na segunda volta. A razão para uma participação mais apagada no primeiro sufrágio foi uma discordância de fundo com o alinhamento do próprio partido.

"Uma das bandeiras do PRD era lutar pela maior participação dos cidadãos. Fui primeiro signatário de uma proposta para a possibilidade de haver candidaturas independentes", recorda Vasconcelos, que se viu contrariado pelo apoio do PRD ao candidato Salgado Zenha na primeira volta.

"O PRD não tinha que tomar nenhuma iniciativa nesse sentido, nem tinha que apoiar nenhum candidato. Teve um papel grande na candidatura de apoio ao Salgado Zenha, sendo certo que Maria de Lourdes Pintassilgo até era uma pessoa, à partida, mais ligada a Eanes, de quem até foi assessora. Foi um erro absolutamente crasso e contra o qual eu me bati sem êxito", lembra o advogado e jornalista que apoiaria Mário Soares na segunda volta.

Quanto a António José Seguro, José Carlos Vasconcelos pede a "valorização da palavra que, pressupõe , o seu uso moderado, adequado e inteligente. É uma arma fundamental e tenho esperança que Seguro a saiba utilizar". O favorito a Belém, de acordo com as sondagens, não é uma personalidade com um grande carisma, anota Vasconcelos. Mas pode compensá-lo, através desse uso adequado, não excessivo e preciso da palavra.

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