Governo
Passos Coelho: "Não se pode passar de diretor da PJ a ministro"
24 fev, 2026 - 18:53 • Ricardo Vieira
Antigo primeiro-ministro considera que escolha de Luís Neves para a Administração Interna é um "precedente grave".
Pedro Passos Coelho critica a passagem do diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) para ministro da Administração Interna.
"Não se pode passar de diretor de Polícia Judiciária a ministro da Administração Interna”, declarou esta terça-feira o antigo primeiro-ministro.
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À margem do Fórum Produtividade e Inovação, em Matosinhos, Passos Coelho considerou que o "precendente é grave".
O antigo chefe do Governo e professor universitário disse acreditar que “a intenção do primeiro-ministro [Luís Montenegro] terá sido boa, mas não é bom sinal”.
Nestas declarações em Matosinhos, Passos Coelho recordou (e criticou) o caso da passagem de Mário Centeno do Ministério das Finanças diretamente para governador do Banco de Portugal.
Conversa de Eleição
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O social-democrata e antigo ministro de Passos Coe(...)
Luís Neves tomou posso na segunda-feira como ministro da Administração Interna, após uma longa carreira na Polícia Judiciária. Ocupou o lugar deixado vago por Maria Lúcia Amaral, que apresentou a demissão na sequência das tempestades das últimas semanas.
Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia de tomada de posse, no Palácio de Belém, Luís Neves disse estar tranquilo e não ter reservas em passar da PJ para a Admnistração Interna.
Questionado sobre a passagem da Direção Nacional da Polícia Judiciária para a esfera do poder executivo, e sobre eventuais reservas quanto à independência da investigação, o governante foi claro: “Não. O diretor nacional não investiga ninguém. O seu papel é organizar e prover meios à instituição”. afirmou.
Em declarações ao programa Conversa de Eleição, da Renascença, Miguel Poiares Maduro também criticou a escolha de Luís Neves para o Ministério da Administração Interna, por defender um "período de nojo" entre cargos e que "a passagem direta não parece saudável".
O antigo ministro do PSD no Governo de Pedro Passos Coelho recorda que "a Polícia Judiciária é uma entidade que deve ter uma forte independência relativamente ao Governo" e critica, por isso, a entrada direta de Luís Neves na Administração Interna.
"Eu devo ser estrangeirado porque, ainda por cima, este caso foi quase unanimemente elogiado até pelos diferentes partidos da oposição e, portanto, não tem a ver com uma análise da pessoa, nem da sua educação às funções. Tem a ver com uma questão do princípio que me parece muito importante em termos de conceção do Estado e do funcionamento das suas instituições e, sobretudo, da Independência e da separação de poderes dentro do Estado", declarou Miguel Poiares Maduro.
- Noticiário das 20h
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