Mariana Vieira da Silva
"É preciso mais apoio a fundo perdido para as empresas afetadas pela intempérie"
26 fev, 2026 - 16:08 • José Pedro Frazão
Mariana Vieira da Silva alerta que as empresas podem não ter recursos para avançar para as linhas de crédito definidas no PTRR. No programa Casa Comum, da Renascença, a ex-ministra do PS chama ainda a atenção para o peso excessivo das despesas de emergência nos orçamentos municipais. O social-democrata Duarte Pacheco avisa o Governo para a importância de executar bem o PTRR sob os holofotes da opinião pública.
A socialista Mariana Vieira da Silva pede ao Governo mais apoios a fundo perdido para as empresas afetadas pelas tempestades. No programa Casa Comum, da Renascença, a ex-ministra lembrou o peso que o endividamento pode constituir "para empresas que não têm sequer a capacidade, neste momento, de estarem operacionais".
"Uma das dimensões de apoio pode ser mais a fundo perdido, porque depois da crise financeira as nossas empresas passaram a lidar de forma completamente distinta com a dívida e com as linhas de crédito. Ao longo dos últimos tempos, os grandes programas de linhas de crédito ficaram sempre abaixo na sua execução", alerta Mariana Vieira da Silva.
O PTRR estabelece que os investimentos, para além da mera recuperação, serão objeto de apoio de fundos europeus e que as soluções de financiamento não reembolsável devem ser reservadas a fundos europeus.
"Os fundos europeus não são amigos de uma intervenção rápida. São amigos de uma intervenção estratégica, é para isso que eles servem, para modernizar", contrapõe a ex-ministra socialista.
Da mesma forma, Mariana Vieira da Silva mostra preocupação com a sobrecarga financeira das autarquias afetadas face à dimensão dos estragos em edifícios e vias rodoviárias.
"Muitos destes investimentos serão feitos pelos municípios, porque são estradas municipais, são infraestruturas municipais. Estamos a falar de municípios que têm orçamentos muito reduzidos face a estas necessidades. Basta olhar para os orçamentos destas câmaras e perceber o que é que conseguem fazer sozinhas e em que é que precisam de apoio do Estado central", alerta a deputada do PS.
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No programa Casa Comum, o social-democrata Duarte Pacheco deixa ainda um aviso ao Governo. A execução do PTRR vai ser decisiva para a avaliação positiva do Governo nesta legislatura, argumenta o ex-parlamentar social-democrata.
"Os holofotes vão estar muito focados na concretização do plano aprovado. O Governo, se quer mostrar resultados, vai ter de aqui ser muito prático. Por isso, não tenho dúvidas de que vai ocupar grande parte do tempo de trabalho dos governantes e da atenção mediática. A forma como este plano aparece e é concretizado, como é que esse apoio chega, qual é o seu impacto real nas famílias, nas empresas e na economia, vai, sem dúvida, impactar a avaliação que os portugueses farão do próprio Governo", remata Duarte Pacheco, na Renascença.
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