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Política

Montenegro antecipa diretas para maio e desafia Passos a ir a votos

04 mar, 2026 - 22:13 • Manuela Pires

O líder do PSD pretende realizar as diretas já no mês de maio. Sem referir o nome de Passos Coelho, Luís Montenegro aponta o dedo a “alguns intervenientes na cena mediática” que tentam desvalorizar o trabalho que o Governo está a fazer.

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Montenegro desafia "quem tem caminho diferente" a ir a eleições no PSD
Montenegro desafia "quem tem caminho diferente" a ir a eleições no PSD. Foto: Manuel de Almeida/Lusa

Luís Montenegro anunciou esta quarta-feira à noite que pretende antecipar a realização de eleições diretas no PSD para o mês de maio. Sem nunca referir o nome de Pedro Passos Coelho, desafiou “quem tem um caminho diferente” a propor que se candidate à liderança do partido.

É meu desejo que se possam realizar as eleições diretas no próximo mês de maio, adaptando exatamente ao calendário inicial, agora que faz quatro anos da minha liderança”, disse o secretário-geral social-democrata, na reunião do Conselho Nacional do PSD.

“Gosto de ser claro e direto. Se houver um caminho alternativo e diferente que seja apresentado e que seja objeto da apreciação do Partido, dos seus órgãos e dos militantes”, anunciou Luís Montenegro, sem nunca referir ao longo do discurso o nome de Pedro Passos Coelho.

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No início do discurso, Montenegro já tinha dado uma resposta indireta a Pedro Passos Coelho quando garantiu que o partido é uma referência da estabilidade e que, apesar de muitas vozes tentarem colocar em causa o trabalho que está a ser feito, o PSD não pode ter dúvidas sobre o caminho que está a ser traçado.

“Mas acho que nós no PSD não devemos ter dúvidas. Nós podemos ter algumas divergências, podemos ter a intenção de ajudar ou incentivar a irmos ainda mais longe e fazermos ainda melhor, mas não podemos ter dúvidas sobre o caminho que estamos a trilhar”, disse Montenegro aos conselheiros nacionais.

O líder do PSD, sem nunca referir o nome de Pedro Passos Coelho, disse que “aqui ou acolá muitos tentam desvirtuar, e alguns é normal que o façam, nomeadamente as oposições, aquele que é o caminho que nós vimos trilhando”.

Depois de nos últimos dias Pedro Passos Coelho ter deixado críticas ao Governo sobre a falta de reformas estruturais e de ter defendido que o executivo não pode perder a oportunidade histórica de fazer mudanças, Montenegro foi ao Conselho Nacional do PSD responder ao antigo primeiro-ministro e por várias vezes.

Montenegro aponta a “alguns intervenientes na cena mediática”

O líder do PSD começou por avisar o partido que não pode haver dúvidas sobre o caminho que o Governo está a seguir e, poucos minutos, depois voltou à carga para apontar o dedo a “alguns intervenientes na cena mediática” que tentam desvalorizar o trabalho que o Governo está a fazer.

“Quando nós fazemos e executamos este plano de reforma e de transformação, nós podemos compreender que os nossos adversários, sejam eles partidos políticos, sejam eles alguns intervenientes na cena mediática. Será mais estranho, será mesmo um equívoco gigante, que sejamos nós a ter dúvidas sobre isto”, disse Montenegro ao Conselho Nacional.

O líder do PSD também não gostou de ouvir Pedro Passos Coelho comparar o seu Governo com o do socialista António Costa e diz que quem pensa assim não percebe o que está a ser feito pelo atual executivo.

“Aqueles que no PSD se conformarem às narrativas dos partidos da oposição, e às considerações daqueles que acham que este Governo e este primeiro-ministro são uma segunda versão dos governos e do primeiro-ministro que os antecedeu, aqueles que tiverem dúvidas no PSD, de facto, não estão a compreender aquilo que nós estamos a fazer."

“Mas, eu quero dizer-vos que nós não somos infalíveis e, naturalmente, aceitamos com humildade todos os incentivos que nos sejam lançados para melhorarmos ainda mais a nossa performance e para levarmos ainda mais longe este nosso impulso reformista”, referiu numa alusão às palavras de Passos Coelho.

Aos conselheiros nacionais, Luís Montenegro garantiu que o PSD é o único partido que garante a estabilidade e as reformas quer o país precisa.

“Creio que nos compete sermos, mais uma vez, a referência da estabilidade, a referência do reformismo, a referência daqueles que têm a responsabilidade de, simultaneamente, nesta ocasião, liderar e governar o país, liderar e governar as regiões autónomas, liderar e governar a maioria dos municípios e a maioria das freguesias”, disse o também primeiro-ministro.

Luís Montenegro foi eleito a primeira vez líder do PSD há quatro anos, a 28 de maio. Dois anos depois, as eleições realizaram-se apenas em setembro, devido às eleições europeias de junho de 2024.

[notícia atualizada às 00h10, de 05/03/2026]

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