Passos Coelho aconselha Governo a “concentrar-se na sua missão”
06 mar, 2026 - 14:28 • Olímpia Mairos
Antigo primeiro-ministro diz que não é candidato a "coisíssima nenhuma", mas garante que continuará a intervir no debate público e a dizer “o que penso” quando considerar oportuno.
“Recomendo a quem está no Governo, a começar no chefe do Governo, que se concentre nessa missão e que se distraia pouco com o resto”, disse esta sexta-feira Pedro Passos Coelho.
O antigo primeiro-ministro, que falava aos jornalistas no Porto, deixou um conselho ao Executivo, defendendo que o Governo deve focar-se nas responsabilidades para as quais foi eleito.
“Eu não estou à espera de nada, estou à espera que o meu partido dê conta do recado (…) Foi para isso que as pessoas votaram no PSD”, acrescentou.
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Passos Coelho recusou aprofundar comentários sobre o atual momento político, mas garantiu que continuará a intervir no debate público sempre que considerar oportuno.
“Em tudo o mais, não sei se aquilo que eu digo incomoda ou não incomoda, aborrece ou não aborrece. Não digo nem para incomodar nem para aborrecer, digo o que penso e direi sempre o que penso, sempre que achar que isso é oportuno e importante”, afirmou.
O antigo líder social-democrata sublinhou também que não se deixará condicionar por pressões de natureza partidária.
“Sempre que eu entender que devo dar algum contributo da minha reflexão, mais crítico ou menos crítico perante o país e perante o Governo, também não deixarei de o fazer”, disse.
“Não me deixarei condicionar por reptos de espécie nenhuma de natureza partidária”, acrescentou, lembrando a responsabilidade pública que sente por já ter liderado o executivo.
“Já fui primeiro-ministro, tenho uma obrigação para muitas pessoas no país e direi sempre aquilo que entender dever ser dito sempre que vier com oportunidade”, afirmou.
“No dia em que quiser candidatar-me eu digo”
Questionado sobre um eventual regresso à política ativa, Pedro Passos Coelho garantiu que não será candidato a qualquer cargo.
“Julgo que não será surpresa para ninguém, porque já o tinha declarado publicamente, que não estou de candidato a coisíssima nenhuma”, afirmou.
“No dia em que quiser candidatar-me eu digo. E candidato-me”, acrescentou.
A declaração surge depois de o líder do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter desafiado quem tenha um “caminho diferente e alternativo” a apresentar-se como candidato às eleições diretas do partido.
“Quem governa nem sempre ouve o que gosta”
No final, Passos Coelho deixou ainda uma nota sobre a relação entre governantes e críticas públicas.
“Quem está à frente do Governo, umas vezes ouvirá coisas que gosta e outras vezes ouvirá coisas que não gosta”, afirmou.
“Eu já ouvi muitas coisas que não gosto e ouvi e andei. A gente não brinca com o país por causa disso”, concluiu.
- Noticiário das 14h
- 15 mai, 2026







