Tomada de Posse
Os rostos de quem esperou para ver Seguro em Belém: "É muito humano e está ali para fazer o bem"
09 mar, 2026 - 20:37 • Beatriz Pereira , Diogo Camilo
Sara foi a primeira a cumprimentar Seguro na chegada à sua nova residência oficial, num raro desvio ao protocolo. Palmira tem 86 anos, é a nova vizinha do Presidente da República e lembra as "voltinhas" de Marcelo. Joaquim veio de Idanha-a-Nova para apoiar o "companheiro beirão". Manuel é repetente: há 30 anos esteve em Belém para ver a tomada de posse de Jorge Sampaio.
No dia de assumir funções, António José Seguro foi pontual e não falhou o protocolo. Eram 9h32 quando chegou ao Palácio de São Bento, acompanhado da mulher e dos dois filhos, ao mesmo tempo que Marcelo Rebelo de Sousa fazia um compasso de espera até marcar presença na Assembleia da República.
A cerimónia durou pouco mais de duas horas, com discursos de José Pedro Aguiar-Branco e do novo Presidente da República.
No fim, a fila para cumprimentar Seguro dava meia volta aos corredores do Parlamento, mas ao fim da escadaria da Assembleia da República estavam apenas cerca de uma dezena de turistas — sem saber o que ali acontecia.
Para encontrar apoiantes do novo Presidente da República foi preciso ir até à fachada do Palácio de Belém, a cinco quilómetros dali, onde Seguro almoçou com Marcelo e os outros chefes de Estado convidados, como o Rei Felipe VI de Espanha; o Presidente de Angola, João Lourenço; ou o de Timor-Leste, José Ramos-Horta.
A primeira saudação ao povo, o amigo de família e a nova vizinha
Palmira Pinto da Costa tem 86 anos e vive em Belém há mais de 70. Confessa que votou em Seguro nestas presidenciais e lembra as "voltinhas" de Marcelo, de quem também gostava.
Apesar da idade e de estar à espera há mais de uma hora pelo novo Presidente da República, não arreda pé das grades que limitam as dezenas de pessoas que estão ali para ver a chegada de Seguro.
"Estou à espera dele há uma hora, mas quero estar até ao fim. Acho que é uma pessoa muito boa, pela maneira de falar, de expressar as coisas, gosto imenso de o ouvir. Foi nele em quem votei e vai ser um bom Presidente. Não sei se vai ser diferente [de Marcelo Rebelo de Sousa], mas vai ser um bom Presidente."
São 13h30 e o Presidente António José Seguro chega a Belém pela primeira vez, com a mulher e os filhos mais atrás. Antes de se dirigir ao ponto de continência e prestar honras de Estado, desvia a rota e interrompe o protocolo para ir ao encontro das pessoas nas grades.
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Entre elas está Sara Francisco, a primeira a receber o cumprimento do novo Presidente. Recém-reformada, vive nos arredores de Lisboa e vinha ver a parada com cavalos e militares.
“Foi uma emoção incrível. Nem sei explicar, nem estava a contar. Ainda por cima ser a primeira pessoa”, diz, enquanto mostra as imagens da TV, gravadas pela filha, que acabara de enviar o registo.
Analisando uma Assembleia da República "muito tumultuosa", onde "parece que uns querem governar e outros não deixam governar", Sara diz que António José Seguro lhe transmite "segurança e serenidade". "Nome tem, não é?", diz, numa referência ao apelido do novo chefe de Estado.
“Esteve 10 anos parado, a observar, com certeza vai dar o seu melhor e não vai querer ficar para trás deste [Marcelo Rebelo de Sousa]".
A poucos metros de Sara está Joaquim Tomás. É de Idanha-a-Nova, o concelho vizinho das origens de António José Seguro, Penamacor, e é assim que se apresenta.
“Um beirão tem de apoiar um beirão, não é?”, diz, explicando que conheceu Seguro nos anos 80 e que é amigo de familiares.
“Sempre acompanhei a carreira dele. Embora não fosse uma pessoa de muitas palavras, é muito acertado, é uma pessoa muito estudiosa e ponderada. Tenho a certeza de que vai ser um bom Presidente da República, talvez um dos melhores que tivemos até hoje."
À porta de Belém desde as 10h00 da manhã, admite que veio de propósito para ver o conterrâneo beirão e que voltará para visitar os jardins do Palácio de Belém durante a tarde.
Nas diferenças entre Seguro e Marcelo, defende que este será um Presidente “mais ponderado”: “Não é pessoa que queira dar nas vistas, faz as coisas sem falar muito e sem dizer que vai fazer. Vai trazer um bocadinho de estabilidade à política, que se calhar falta hoje. Vai apoiar o nosso Governo, porque também tem interesse em que o Governo faça boas reformas.”
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O presidente da junta repetente e a militante socialista
Manuel Nunes foi dos primeiros a chegar a Belém, por volta das 9h30. E é repetente. Trinta anos antes, esteve aqui para a tomada de posse de Jorge Sampaio, em 1996.
“É uma coisa que a gente só vê de cinco em cinco anos. Nunca se sabe quando se volta a ver. É uma distância muito grande, mas gosto destas coisas. Depois mete a banda militar, tudo isto, gosto mesmo, é muito bonito”.
Presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pranto, em Ferreira do Zêzere, diz ter estado “uma ou duas vezes” ao lado de Seguro e o considera “boa pessoa e justo”. Para o primeiro mandato de Seguro, Manuel espera um Presidente “justo”, mas que “dê um abanão no Governo”.
“A gente precisa de um Presidente interventivo. Não quer dizer que o professor Marcelo não tenha sido, mas é uma pessoa diferente. Também gostei da presidência do professor Marcelo, mas tenho muita esperança no António Seguro", diz.
De casaco lilás e militante confessa do Partido Socialista, Maria Alice chegou aos Jerónimos de autocarro poucos minutos antes de Seguro. Veio pelo “maravilhoso” cortejo, mas também pelo novo Presidente da República.
“Vai ter muita responsabilidade, mas vai fazer o que for necessário. E é um senhor que não é de críticas, que fez uma campanha sem uma crítica a ninguém. Acredito nele como pessoa, na sua personalidade e na sua experiência também. É muito humano e está ali para fazer o bem."
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