Hugo Soares acusa líder do PS de "decretar a morte" do diálogo social
10 mar, 2026 - 17:40 • Manuela Pires
O líder parlamentar do PSD apelou a José Luis Carneiro para pedir à UGT, que “tem uma tendência socialista muito vincada”, a regressar à mesa das negociações sobre o pacote laboral.
O líder parlamentar do PSD acusa José Luis Carneiro de estar a colocar um ponto final nas negociações sobre o pacote laboral que decorrem na Concertação Social.
Na abertura das jornadas parlamentares em Caminha, Hugo Soares diz foi com essa ideia que ficou quando ouviu o líder do PS responsabilizar o primeiro-ministro de “não ser capaz de promover entendimentos fundamentais para a vida da nossa sociedade”.
“A perceção com que fiquei foi que o deputado José Luís Carneiro estava a querer encerrar, já, o diálogo na Concertação Social. Queria ser ele a decretar, permitam-me a expressão, a morte do diálogo social”, acusa Hugo Soares, que acrescenta que o líder socialista “se apressou a tirar conclusões e a pedir explicações”.
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Para Hugo Soares, seria mais “motivador e mais bem visto por parte portugueses” se José Luis Carneiro tivesse apelado ao Governo e à UGT para regressar à mesa das negociações, já que a central sindical liderada por Mário Mourão “tem uma tendência socialista muito vincada”.
“Devia ter aproveitado hoje o dia para apelar ao Governo para voltar às negociações, de onde nunca saiu, mas apelar, por exemplo, à UGT, que nós sabemos tem uma tendência socialista muito vincada, que pudesse voltar às mesas das negociações, que pudesse voltar ao diálogo na Concertação Social”, apelou Hugo Soares.
"Estamos a fazer mudança tranquila, despida de ideologia"
No dia em que passam dois anos das eleições legislativas que deram a vitória ao PSD, o líder parlamentar reconheceu que a tarefa na Assembleia da República não tem sido facilitada porque o Chega e o PS “fazem birras”.
“É que a maior parte das vezes eles entendem que quando conversamos com um não podemos conversar com o outro e vice-versa”, e Hugo Soares diz que a política “não se faz de birras”.
“E eu creio até que na esmagadora maioria das matérias, pode haver consenso, diálogo, construção de soluções entre o bloco moderado e maioritário que nós representamos e a direita populista e a esquerda do Partido Socialista” disse Hugo Soares.
Uma das matérias em que o líder parlamentar social-democrata considera que é possível um acordo a três é na lei da nacionalidade que volta ao parlamento no próximo mês.
A conferência de líderes agendou para 1 de abril a reapreciação do veto do Presidente da República ao decreto do Parlamento que pretender rever a Lei da Nacionalidade e que antes tinha sido chumbado pelo Tribunal Constitucional. Hugo Soares apelou aos dois partidos para se empenharem na alteração à lei.
“Eu queria hoje lançar o desafio ao Partido Socialista e ao Chega, para que no Parlamento nos possamos entender sobre a Lei da Nacionalidade” pediu.
Quando passam dois anos sobre as eleições que deram a vitória ao PSD, Hugo Soares diz que o governo está a fazer uma “mudança tranquila” que conta com o apoio dos portugueses e que está “despida de ideologia”, não é de esquerda nem de direita.
“Nós vamos continuar no meio destes dois blocos. Nós vamos continuar neste centro moderado, se quiserem mesmo numa mudança, despida de ideologia, mas que é uma mudança tranquila” disse Hugo Soares.
Explicador Renascença
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Num discurso onde voltou a repetir que o PSD vai continuar a estar no “centro moderado”, Hugo Soares garantiu que o partido está empenhado no diálogo na concertação social ao contrário do que mostra o Partido Socialista.
“Quando eles querem que se ponha um ponto final na concertação social, nós queremos estimular o diálogo, porque as portuguesas e os portugueses sabem que nós não somos daqueles que acham que a concertação social é uma feira de gado”, disse Hugo Soares.
O líder parlamentar estava a citar o socialista Augusto Santos Silva que em 2016, num jantar de Natal do grupo parlamentar do PS, comparou a Concertação Social a uma feira de gado. Uma declaração polémica que o ministro dos Negócios Estrangeiros reconheceu ter sido excessiva.
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