Jornadas PSD
Paulo Portas pede estabilidade e avisa que aumento de salários só com mais produtividade
10 mar, 2026 - 23:04 • Manuela Pires
O antigo vice-primeiro ministro de Passos Coelho diz estar impressionado com a proximidade entre o salário mínimo e o salário médio e avisa que só é possível ter salários mais altos de a produtividade aumentar.
Já passava das 22h00 quando Paulo Portas, depois de 50 minutos de discurso sobre os conflitos internacionais e a geopolítica, avisou que, tal como está o mundo, Portugal deve preservar a estabilidade política.
“O mundo está muito volátil, frequentemente perigoso, às vezes irracional e é motivo de muita preocupação. A melhor coisa que Portugal pode fazer, em nome dos seus interesses e dos portugueses, é preservar a sua estabilidade, quando à nossa volta há tanta instabilidade”, pediu Paulo Portas, esta terça-feira à noite, nas Jornadas Parlamentares do PSD, em Caminha.
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Era o que queria ouvir o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os seis ministros que se juntaram aos deputados do PSD para o jantar, que recebeu ainda os dois deputados do CDS e o secretário de Estado centrista Telmo Correia.
Esta foi a última frase de um longo discurso onde o antigo ministro e antigo líder do CDS usou 45 minutos para falar sobre as três grandes potências geopolíticas e geoeconómicas, o ataque ao Irão e a entrada dos Estados Unidos na Venezuela.
Paulo Portas aposta na produtividade
O mundo inteiro coube no discurso de Portas que, quando chegou à União Europeia e a Portugal, avisou o Governo que só vai conseguir aumentar os salários médios se a produtividade aumentar. Alertou que nos últimos tempos não se tem ouvido falar sobre a produtividade, “como se fosse uma palavra proibida”.
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Numa altura em que as negociações das alterações ao pacote laboral estão num impasse na Concertação Social, Paulo Portas avisa que o aumento da produtividade é uma “oferta aos trabalhadores”.
“É preciso melhorar a credibilidade da nossa mobilidade social, a única maneira de melhorar o rendimento médio líquido dos portugueses é aumentar a produtividade”, disse Portas, que concluiu que será benéfico para os trabalhadores.
“É uma oferta pelos trabalhadores e pelas empresas, melhorar a produtividade, porque é a única maneira de nós melhorarmos o nosso salário médio líquido”, referiu o antigo líder centrista.
Portas diz que o que mais o preocupa não é o salário mínimo ser tão baixo, mas antes, o valor do salário médio líquido “seja demasiado próximo do salário mínimo”. “Porque o salário médio líquido paga impostos e o salário mínimo, globalmente, não”, referiu.
O antigo líder do CDS deixou ainda críticas para a Europa que “tem dificuldade em estabelecer uma agenda essencial e impor a agenda de quem quer ser um ator não apenas geoeconómico, mas geopolítico”. Outro problema com que a Europa se depara é com o envelhecimento da população, e Portugal não foge à regra.
Com o primeiro-ministro sentado à mesa do jantar, Paulo Portas avisou que é preciso avançar para políticas de habitação, fiscais que se devem manter ao longo do tempo.
“Não somos os piores, mas convém ter atenção. É preciso muito tempo para inverter um declínio demográfico, e é preciso que políticas de família, fiscais, de habitação, políticas de mercado laboral e políticas de imigração regulada estejam alinhadas nas estrelas com constância”, avisou Portas.
Impacto geoeconómico é "incentivo" para acabar com a guerra
O antigo líder do CDS e ministro do Governo de Pedro Passos Coelho passou em revista os vários conflitos no mundo, e sobre o Irão disse acreditar que o conflito com os Estados Unidos não vai durar muito tempo porque Donald Trump vai ser um dos prejudicados.
“Acho que podemos dizer, que o impacto geoeconómico foi tão grande dos primeiros dias do conflito, que isso é um grande incentivo a que ele não se prolongue muito”, disse Portas, acrescentado que “o primeiro sinal de que a guerra pode não demorar muito tempo, vindo do próprio Presidente dos Estados Unidos, sucedeu a uma conversa do Presidente dos Estados Unidos com o Presidente da Rússia, que por sua vez tinha tido uma conversa com o Presidente da China. Parece um bocadinho as linhas de comunicação do Triângulo das Potências”, concluiu.
Paulo Portas foi o único orador do jantar das Jornadas Parlamentares do PSD, que contaram ainda com a presença não prevista do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e de seis ministros, da Economia, Ambiente, Infraestruturas, Assuntos Parlamentares, Negócios Estrangeiros e Reforma do Estado.
À mesa estiveram ainda o secretário de Estado centrista Telmo Correia, o líder parlamentar Paulo Núncio e o outro deputado do CDS João Almeida.
As jornadas terminam esta quarta-feira com o discurso do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
[notícia atualizada às 00h50, de 11/03/2026]
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