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Casa Comum

Duarte Pacheco chumba Presidência de Marcelo: "Dou-lhe 8 ou 9 valores"

12 mar, 2026 - 10:57 • José Pedro Frazão

Mariana Vieira da Silva e Duarte Pacheco estão de acordo nas críticas e nos elogios ao agora ex-Presidente da República. Os comentadores do programa "Casa Comum" dizm que Marcelo Rebelo de Sousa foi por diversas vezes um foco de desestabilização da atividade política em Portugal nos últimos 10 anos. O social-democrata, que foi aluno e colaborador de Marcelo no PSD, dá no máximo 9 valores ao Presidente da última década.

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Os pontos positivos dos 10 anos de Marcelo em Belém não chegam para evitar um chumbo na avaliação do mandato presidencial feita pelo social-democrata Duarte Pacheco.

Na Renascença, o ex-deputado considera que Marcelo "banalizou por completo a Presidência", focando a sua crítica à forma como o Chefe de Estado anterior fez uso do poder da palavra.

"Marcelo dessacralizou de tal modo a Presidência da República que ela deixou quase de ter valor. Ninguém 'punha o som mais alto' nos canais de televisão, porque ele aparecia de hora a hora, a falar em cada sítio", exemplifica Duarte Pacheco no programa "Casa Comum".

O antigo deputado diz que as práticas de Marcelo "mataram" o "poder fundamental da palavra que o Presidente tem, para poder influenciar as decisões". Duarte Pacheco admite que Marcelo teve boa taxa de popularidade, mas "deixou de ser escutado para poder influenciar".

O ex-deputado do PSD traz inúmeros exemplos de comportamentos de Marcelo para sustentar a atribuição de uma nota negativa — " um 8 ou 9" - à Presidência de Marcelo.

Dos comentários à instabilidade política

Duarte Pacheco recorda Marcelo "a comprar um gelado, a arranjar a calçada do passeio em frente ao Palácio de Belém, ou a ir ao Multibanco, avisando estava a fazer isso". O militante do PSD lembra que Marcelo chegou a uma manifestação frente a Belém antes dos manifestantes, "ficando sentado à espera que os manifestantes chegassem".

Para Duarte Pacheco, "isto não é o Presidente da República", lembrando ainda as "conferências de imprensa a falar sobre assuntos sérios, em calções de banho, em plena praia". Ou quando Marcelo surgia "a meio de jogos de futebol, num intervalo, a fazer 'flash interview', e a dizer que aquele jogador jogou bem ou mal, e que devia ser substituído"

Para mais, acrescenta o ex-deputado do PSD, "a única coisa que ele tinha como objetivo concreto era acabar com os sem-abrigo. E eles duplicaram". Duarte Pacheco considera que Marcelo contribuiu para a instabilidade, acabando o seu mandato " com um Governo claramente minoritário e um sistema partidário completamente esfrangalhado".

Professor chumbado

O social-democrata separa a "grande amizade e estima" por Marcelo Rebelo de Sousa da avaliação política do seu mandato presidencial. Antigo aluno de Marcelo, Duarte Pacheco dá "8 ou 9 valores" ao professor, na escala de 0 a 20.

"Tenho muitas dúvidas de dar uma avaliação positiva aos seus 10 anos, o que lamento muito porque ele não se conteve na sua vida de sempre, que era ser comentador e querer falar sobre tudo e mais alguma coisa". diz.

No plano positivo dos 10 anos de Marcelo em Belém, Duarte Pacheco sublinha "a proximidade" e o princípio do fim de "uma conflitualidade na vida política que existia quando ele alcançou o poder". Depois da intervenção da "troika", veio a "geringonça".

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"Havia uma fricção brutal. E o facto de ele vir da minha área política, para estender a mão à outra área política e estar disponível para colaborar em nome do país, foi extremamente positivo", assinala Duarte Pacheco na Renascença.

As críticas de Mariana Vieira da Silva

Já a ex-ministra Mariana Vieira da Silva reconhece diversos pontos positivos na ação de Marcelo, mas critica a forma como contribuiu para instabilidade política ao longo dos seus 10 anos de mandatos.

"Acaba por marcar um período de grande instabilidade da nossa vida política na forma como ele próprio via os orçamentos. Aliás, se olharmos para como ele os via enquanto líder da oposição, não é muito diferente, associando-os à dissolução do Parlamento", afirma a ex-governante do PS.

A antiga ministra da Presidência não esquece também "as idas ao Multibanco ou a comer gelados para fazer críticas mais ou menos dirigidas a membros do Governo", sublinhando que o fez face a governantes em concreto," incluindo secretários de Estado, que é uma coisa que nunca, na nossa vida coletiva, tínhamos visto".

Mariana Vieira da Silva considera que este comportamento remeteu o então Presidente da República para a sua vida anterior "quase como se não tivesse desencarnado o professor Marcelo Rebelo de Sousa, que dava notas aos políticos enquanto comentador". A dirigente socialista considera que o antigo Presidente teve dois mandatos distintos, "antes e depois da maioria absoluta de 2022".

Um retrato "desempoeirado" do país

No plano positivo, a deputada do PS sublinha a "diferente relação entre os políticos e o povo" que estabeleceu bem como o "apaziguar de uma enorme tensão que vem ainda dos tempos da troika, como uma certa dessacralização da imagem do Presidente, que, vindo de Cavaco Silva, era bastante necessária e transformou muito a nossa vida".

Mariana Vieira da Silva assinala ainda que Marcelo foi muito importante para o país pelo "retrato desempoeirado da autoimagem que o país deve ter de si mesmo, falando de temas muito difíceis, da descolonização, ao racismo, à corrupção, de uma forma que nos permitiu olharmo-nos ao espelho coletivamente, de uma forma muito realista".

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