Política
Governo "não está a responder" às expectativas, acusa PS
14 mar, 2026 - 17:09 • Lusa
"Há um desencanto e um desalento com o Governo e, ao mesmo tempo, uma esperança que se vai constituindo e consolidando em relação ao Partido Socialista", acredita o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.
O secretário-geral do PS acusou este sábado o Governo de "insensibilidade e de incompetência" na resposta a "problemas fundamentais", como a saúde ou a habitação, e de ter criado "excessivas expetativas" às quais "não está a responder".
"Uma das desilusões que senti é que [os cidadãos] têm uma grande desilusão em relação ao Governo porque [o Governo] criou excessivas expetativas às quais não está a conseguir responder", afirmou José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas, à margem da votação para as eleições primárias no PS, que se disputam este sábado.
Segundo o líder socialista, o Governo "tem dado provas de insensibilidade e de incompetência na resposta a problemas fundamentais", apontando a Saúde, a habitação, os salários, a Economia e os atrasos na execução do Plano de Resiliência e Recuperação (PRR).
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José Luís Carneiro criticou também o Governo de Luís Montenegro pelo que considerou ser "descoordenação" nas medidas de apoio às vítimas das tempestades: "Pude ouvir por vários pontos do país, que, por exemplo, há cinco entidades diferentes que estão a pedir a mesma informação às famílias que perderam as suas habitações, aos empresários que perderam as suas empresas e às autarquias que querem recuperar as suas infraestruturas", disse.
E continuou: "Ou seja, há uma descoordenação, há uma incapacidade e essa é uma das imagens que extraio deste diálogo que tive com todo o país, que é um desencanto e um desalento com o Governo e, ao mesmo tempo, uma esperança que se vai constituindo e consolidando em relação ao Partido Socialista", apontou.
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O líder socialista, que reafirmou ter uma oposição "firme, mas responsável" ao Governo, deu como exemplo para justificar o modelo de oposição que segue as propostas "em três domínios" apresentadas ao primeiro-ministro para mitigar os efeitos do conflito no Irão.
"Nos custos com os bens alimentares, recuperei a proposta que fizemos no Orçamento para reduzir o IVA sobre os bens alimentares mais básicos, mais essenciais, e, por outro lado, a previsão, que já era expectável na altura, do aumento com os custos relativos aos empréstimos à habitação", enumerou.
"Nós, mais uma vez, formulámos as nossas críticas, mas apresentámos um caminho alternativo, o Governo não nos ouviu", lamentou José Luís Carneiro, dizendo que agora o executivo "dará o dito por não dito, dirá uma coisa hoje, dirá outra amanhã".
Questionado ainda sobre a decisão do Tribunal Constitucional de obrigar Luís Montenegro a revelar a lista de clientes e serviços da Spinumviva, o líder do PS escusou-se a comentar o caso concreto, mas deixou um aviso: "Há algo que eu sei e que posso dizer: quem está na vida política tem uma vida de absoluto escrutínio da sua vida pessoal e da sua vida familiar também já agora e, portanto, tem de estar preparado para essas responsabilidades de transparência e de prestação de contas", salientou.
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