PARLAMENTO
Impasse sobre novos juízes do TC leva a outro adiamento da eleição dos órgãos externos da AR
16 mar, 2026 - 15:53 • Susana Madureira Martins , Tomás Anjinho Chagas
A nova data para a eleição dos nomes para o Conselho de Estado, Tribunal Constitucional e Provedoria de Justiça será marcada pela conferência de líderes que se reúne no dia 25 de março. Socialistas recusam ficar de fora da equação na escolha dos três juízes em falta no Palácio Ratton.PSD escusa-se a fazer comentários e fala de "negociações em curso".
Ainda não foi desta. O PS pediu novo adiamento da entrega dos nomes a eleger para os órgãos externos da Assembleia da República, solicitando que o assunto volte a ser discutido na conferência de líderes de 25 de março. A notícia foi avançada esta segunda-feira pela agência Lusa e já confirmada pela Renascença junto do gabinete do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
O prazo limite para apresentação de candidaturas para os órgãos externos do Parlamento, entre os quais o Conselho de Estado, Tribunal Constitucional e Provedor de Justiça, terminava esta segunda-feira e as eleições estavam marcadas para 1 de abril.
A Renascença sabe que o que está a criar impasse é a indicação dos nomes dos três juízes para o Tribunal Constitucional (TC) em que os socialistas querem ter uma palavra a dizer e recusam negociar com o Chega.
Tal como a Renascença já tinha escrito, o PS recusa indicar qualquer nome para dirigir a Provedoria de Justiça enquanto não houver uma “negociação global” com o PSD sobre a composição de todos os outros órgãos externos à Assembleia da República.
É, aliás, reconhecido por fonte socialista no Parlamento que há o receio de que, admitindo que o PS tem direito de escolha sobre o nome do futuro Provedor, o PS fique de fora da equação na indicação dos nomes dos três juízes para o TC, deixando o PSD e o Chega a negociar entre si. E, precisamente, o que estará a ser proposto pelo PSD, segundo a mesma fonte, é que o PS fique fora da indicação de nomes para o Palácio Ratton.
A mesma fonte diz à Renascença que no dia em que o PS ficar de fora de umas negociações para a eleição dos juízes para o TC "isso tem um significado muito complicado", estando, contudo, afastada qualquer rutura com o PSD.
No lote de nomes a indicar para os órgãos externos do TC está o do presidente deste tribunal superior, liderado atualmente por José João Abrantes que, pelas regras do acordo entre PS e PSD, já devia ter sido substituído no final do ano passado.
As eleições do Provedor de Justiça e dos três juízes do Tribunal Constitucional requerem maiorias de dois terços, em que o PSD surge como a principal força. “Quando o PS tinha a maioria de dois terços era mais fácil”, desabafa um dirigente socialista à Renascença, reconhecendo que, na nova composição parlamentar, o PSD “é o único” partido que tem de estar no alinhamento das negociações.
A Renascença contactou o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que se escusou a tecer comentários sobre "negociações em curso".
- Noticiário das 9h
- 18 mai, 2026






