Chega na Assembleia Municipal de Lisboa distancia-se do vereador Bruno Mascarenhas
17 mar, 2026 - 18:20 • Lusa
Luís Pereira Nunes garante que grupo municipal não foi consultado sobre nomeações para empresas municipais. Declarações surgem após críticas do Livre a um caso envolvendo uma militante do partido.
líder da bancada do Chega na Assembleia Municipal de Lisboa distanciou-se hoje do vereador do partido na Câmara, Bruno Mascarenhas, afirmando que não se revê nem foi previamente consultado sobre a indicação de nomes para empresas municipais.
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"A Assembleia Municipal não tem nada a ver com a vereação. Concorremos com listas separadas, com boletins de voto separados. Não nos revemos minimamente no que se passa na vereação do senhor doutor Mascarenhas", afirmou Luís Pereira Nunes, líder da bancada do Chega.
O autarca falava em defesa da honra após uma intervenção do deputado João Monteiro, do Livre, que apresentou uma recomendação “pela competência e transparência nas nomeações para cargos de gestão da Câmara Municipal de Lisboa”.
João Monteiro destacou o caso da nomeação de Mafalda Livermore, militante do Chega indicada para vogal nos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, cargo do qual foi recentemente exonerada depois de se saber que está a ser investigada pelo Ministério Público, incluindo “por usurpação de funções, por suspeita de dar aconselhamento jurídico sem ser advogada”.
O deputado do Livre referiu ainda que Mafalda Livermore tem ligações pessoais ao vereador do Chega e é também “acusada de ter construído um império de habitação clandestina” para imigrantes, que viveriam em condições indignas e sem contrato de arrendamento, segundo uma reportagem da RTP.
"Era tão óbvio, tão óbvio, que alguém indicado pelo Chega viria a dar problemas", considerou João Monteiro.
"É necessário proteger as instituições democráticas daqueles que sem escrúpulos se procuram infiltrar sob a pele de cordeiros, mas que não passam, efetivamente, de lobos predadores do bem que todos nós construímos, que é a democracia", acrescentou João Monteiro.
O deputado defendeu, por isso, que “é preciso restringir o número de nomeações quando estas não são sujeitas à avaliação em condições de transparência”.
Em resposta, Luís Pereira Nunes afirmou que "o grupo municipal do Chega, deputados e assessores, não se revê nas alegações das ações do vereador eleito pelo partido, nem foi consultado previamente sobre a indicação dos nomes para ocupar qualquer lugar nas administrações das empresas municipais", acrescentando que "desde o início que nos opusemos à indicação desses elementos".
O presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, André Moz Caldas, do PS, assinalou que o deputado do Chega “leu a sua defesa da honra, o que significa que a sua honra já vinha ofendida mesmo antes do senhor deputado João Monteiro ter usado da palavra”.
"Tinha a declaração escrita porque a esquerda é muito previsível", respondeu Luís Pereira Nunes.
Interpelando a Mesa da Assembleia Municipal, Américo Vitorino, do PSD, criticou comentários sobre a forma como qualquer força política apresenta a sua defesa da honra. André Moz Caldas respondeu que o recurso à figura regimental de defesa da honra dependia de algo que tivesse ocorrido no plenário.
Da bancada do PS, Miguel Coelho afirmou que “alguns elementos da bancada do PSD são uma espécie de bombeiros de serviço para ajudar o Chega”.
Já Pedro Bugarin, da Iniciativa Liberal, classificou como “muito surpreendente” a intervenção do Chega e referiu que “se calhar existe um partido A e um partido B, e o partido A tem de fazer escrutínio sobre o partido B”, registando também a ausência de Bruno Mascarenhas, que não tem comparecido na Assembleia Municipal.
Na semana passada, a deputada e membro da direção nacional do Chega Rita Matias defendeu a demissão do vereador do partido na Câmara Municipal de Lisboa, Bruno Mascarenhas, que é também namorado de Mafalda Livermore.
"Bruno Mascarenhas, se quiser fazer um favor ao partido Chega, demita-se de vereador, saia e passe o lugar. Espero que não fique como independente, passe o lugar para ficar alguém que realmente represente o partido Chega e os seus interesses", afirmou Rita Matias.
"Este é um caso que envergonha o partido", acrescentou Rita Matias, considerando tratar-se de uma conduta "absolutamente condenável".
Posteriormente, o líder do Chega, André Ventura, indicou que a jurisdição do partido está a desenvolver “procedimentos internos” na sequência da reportagem da RTP. As conclusões deverão ser tornadas públicas mais tarde.
"Quando houver conclusões, cá estarei para as assumir e para levar até às últimas consequências", disse André Ventura.
O presidente do Chega considerou ainda que o desafio lançado por Rita Matias “é um exercício de opinião política num partido que é político, que é livre e que é democrático”.
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