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Jornadas

Nuno Melo acusa PS de “sequestrar a democracia” e não aceitar o resultado das eleições

24 mar, 2026 - 14:32 • Manuela Pires

No encerramento das jornadas parlamentares, o presidente do CDS criticou ainda aqueles que ficaram em silêncio perante o “ataque” de sábado na Marcha pela Vida.

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O líder do CDS desafiou, esta terça-feira, o Partido Socialista a aceitar os resultados eleitorais e a não bloquear a eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional, considerando que o PS está, desta forma, a “sequestrar a democracia”.

Nuno Melo deu como exemplo o CDS, que já esteve fora do Parlamento, mas afirmou que a resposta passa por “trabalhar” e não por criar um impasse que impede o normal funcionamento das instituições.

“O CDS pode dar-se a si próprio como exemplo, porque, quando os resultados na democracia não são os que desejamos, o que temos a fazer é lutar e trabalhar para vencer eleições, não é bloquear a democracia como forma de contestação à vontade popular. A democracia não pode ficar sequestrada porque o Partido Socialista não aceita os resultados eleitorais e, sobretudo, o normal e regular funcionamento das instituições democráticas”, referiu Nuno Melo.

O líder do CDS deixou ainda um apelo a José Luís Carneiro para que aceite que é a terceira força política no Parlamento e que deve agir em conformidade.

“Por muito que custe — e a nós também já custou tanta coisa —, perceba que hoje tem um lugar neste Parlamento que já não é o de outros tempos. É a terceira força política, mas não pode desistir de querer voltar a ser a segunda ou a primeira. Nós lutaremos para que assim não seja, lutaremos para que o CDS seja maior”, afirmou.

O ataque ao líder do Partido Socialista não se ficou pelo impasse na eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional, e Nuno Melo aproveitou a recente visita de José Luís Carneiro à Venezuela para dizer que o líder do PS “não esteve nos seus melhores momentos”.

“Quando o líder do Partido Socialista se desloca à Venezuela para elogiar o funcionamento de universidades daquele país, que entende que devemos copiar em Portugal, ou para legitimar, com a sua presença, um parlamento do qual foi afastada a maior parte da oposição, o CDS também sabe onde fica”, afirmou Nuno Melo, concluindo que o partido está ao lado dos “que lutam pela democracia”.

“Não sei exatamente o que pretendia o secretário-geral do Partido Socialista, mas devo reconhecer que não esteve num dos seus melhores momentos”, concluiu.

Num discurso de quase meia hora, o líder do partido, que regressou ao Parlamento integrado na coligação com o PSD, garantiu que o CDS é um partido “que soma” e “uma parcela confiável”, quer sozinho, quer em coligação com o PSD. Nuno Melo afirmou ainda que o partido está integrado nas coligações de governo no continente e nas duas regiões autónomas “não por favor, mas por mérito próprio”.

Melo critica silêncio perante ataque na Marcha pela Vida

No discurso de encerramento das jornadas parlamentares, o líder do CDS criticou também todos aqueles que ficaram em silêncio perante o “ataque com um engenho explosivo” ocorrido no passado sábado durante a Marcha pela Vida.

“Quando famílias que se manifestam pacificamente são atacadas com um engenho explosivo que pode matar pessoas — desde logo mulheres e crianças — e a condenação não é absoluta e transversal, independentemente do partido, começando no Parlamento, o CDS sabe onde fica: fica do lado da decência, da democracia e da liberdade”, afirmou o líder centrista.

O tema foi também abordado no arranque das jornadas pelo líder parlamentar, que anunciou a apresentação de um voto de condenação e classificou o ataque como “extremista e criminoso”.

Entretanto, tal como a Renascença avançou, oPSD chamou, com carácter de urgência, o ministro da Administração Interna ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre este caso.

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