Casa Comum
Mariana Vieira da Silva: "PS precisa de sentir alegria a fazer oposição"
26 mar, 2026 - 06:26 • José Pedro Frazão
No debate semanal na Renascença, a ex-ministra socialista defende renovação da ligação do partido à sociedade civil. Mariana Vieira da Silva não vai subscrever nenhuma moção setorial no Congresso de Viseu para não alimentar "leituras de que estaria a criar um movimento de oposição" interna.
A caminho de Viseu e do congresso do Partido Socialista, Mariana Vieira da Silva defende que o PS "tem de saber estar na oposição", um lugar que considera "tão importante para a democracia como os lugares de poder".
A ex-ministra de António Costa recusa a ideia de um partido conformado com a posição que corresponde à força que os eleitores lhe deram nas últimas legislativas — "um partido como o Partido Socialista quer sempre voltar ao poder" —, mas mudar de lugar na democracia parlamentar levará o seu tempo.
"O Partido Socialista precisa de sentir alguma alegria a fazer oposição. Os partidos não podem achar que o único lugar que têm na história da política é ocuparem lugares de poder. Neste momento estamos na oposição e não podemos não querer fazer o trabalho que é estar na oposição. Temos de ter alguma alegria nele", argumenta a vice-presidente da bancada parlamentar socialista, no programa "Casa Comum", da Renascença.
As razões para não subscrever moções
A antiga ministra quer estar, para já, na oposição ao Governo e não ao líder José Luis Carneiro. Por isso, decidiu fazer a viagem para Viseu sem deixar a sua assinatura em nenhuma moção setorial.
"Resolvi não subscrever nenhuma das moções setoriais que vão ao Congresso para também não possibilitar leituras que vão sempre ser feitas — e, portanto, a única opção que eu tenho é não assinar — de que se estaria aqui a criar um qualquer movimento de oposição", justifica-se, no debate semanal em que participa na Renascença.
A dirigente socialista reconhece que algumas ideias inscritas nas moções já apresentadas são "importantes", sem entrar em detalhes sobre o que leu e do que gostou antes do caminho para Viseu. Do Congresso, espera que seja "o primeiro momento de uma reflexão alargada que o Partido Socialista precisa do ponto de vista do seu modo de funcionamento".
Como aperitivo sobre o que pensa que há a mudar, a ex-ministra retoma uma das lições que retirou de imediato após a derrota nas legislativas de 2025: "Qualquer partido que está há muitos anos no poder deixa arrefecer as suas ligações à sociedade civil. É assim, está nos livros e acontece sempre. E o Partido Socialista precisa de as reforçar."
- Noticiário das 9h
- 19 abr, 2026








